Coimbra  24 de Junho de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

António Quinteira e Catarina Quinteira

A propósito da publicação de um estudo sobre o foral manuelino de Botão

4 de Fevereiro 2017

No passado mês de Novembro de 2016 foi publicado por nós, António Quinteira e Catarina Quinteira, um estudo sobre o Foral Manuelino de Botão, integrado nas Comemorações dos Quinhentos Anos da atribuição do mesmo à localidade de Botão. Dois meses volvidos, o Sr. João Pinho, licenciado em História da Arte, reagiu à edição deste estudo, publicando, no diário online, Campeão das Províncias, de 29 de janeiro de 2017, um artigo intitulado As comemorações do Foral de Botão: o desrespeito vertido em livro, sobre o qual, como autores do referido estudo, não podemos deixar passar em claro.

O autointitulado historiador e investigador, Sr. João Pinho, ficou, decerto, deveras frustrado e com o seu ego bastante ferido quando lhe “chegou às mãos” o referido estudo. A irritação que dele se terá apossado levaram-no a opinar, maliciosamente, sobre o supracitado estudo, produzindo uma verborreia que, a nosso ver, em nada se adequa a quem se considera ou pretenda considerar um “nome” na área da cultura. É sempre assim quando os vernizes estalam e aparece a verdadeira madeira…

Diz o Sr. João Pinho que não pôde “deixar de reagir a sucessivas usurpações culturais de que tal livro terá sido, provavelmente, a última” (sic). Como o próprio deverá saber, o vocábulo usurpar significa, precisamente: apoderar-se violentamente de; obter sem direito; estar na posse de algo que não lhe pertence. Acaso o Sr. João Pinho é proprietário ou mesmo fiel depositário dos bens histórico-culturais do território da União das Freguesias de Souselas e Botão? Acaso o Sr. João Pinho se considera o único cidadão habilitado, e só ele, com direito a fazer estudos nesta região? Quanta jactância, sr. João Pinho… Realmente lá diz o ditado: “presunção e água benta, cada um toma a que quer…

Mas, continuando: O emprego da expressão “tal livro” denota, perfeitamente, a frustração e a ira incontidas ao verificar que se tinha malogrado a sua pretensão. Daí o facto de o senhor dizer ter-se sentido usurpado culturalmente. Só a si diz respeito este seu infundado sentimento…

Mais adiante afirma, despudoradamente, que “uma leitura atenta revela gralhas variadas, possivelmente justificadas pelo facto dos autores serem arqueólogos de formação e não dominarem alguns aspectos(…)”. Não vá por aí Sr. João Pinho. Por esse ponto de vista, o senhor, como licenciado em História da Arte, estaria tão habilitado como nós … É um caminho que lhe fica muito mal e que esse sim, demonstra uma enorme falta de sentido ético. Não menospreze a arqueologia, se é que realmente sabe o que esta ciência é. Qualquer arqueólogo, não só está habilitado, como está mais que preparado, para a investigação histórica, sendo esta essencial para a boa execução da sua atividade profissional. Dirija-se ao instituto de Arqueologia da Universidade de Coimbra, bem perto de si, e verá inúmeros e bons exemplos de investigadores cuja formação universitária é, precisamente, arqueologia. Ficaria admirado se lhe disséssemos que alguns professores e investigadores da área da História e da História da Arte têm como formação inicial a arqueologia? Não fique Sr. Pinho! Alguns deles terão sido, certamente, seus professores e possuem obra publicada de qualidade excecional, reconhecida nacional e internacionalmente. Não o reconhece o Sr. Pinho?

Mas a verborreia produzida pelo senhor não se fica por aqui. Antes tivesse ficado… Afirma o senhor, a determinada altura, que “do ponto de vista ético é, desde logo questionável que os autores sejam pai e filha” (sic). Não há dúvida alguma que o senhor tocou as raias do risível, só para não empregarmos um vocábulo mais assertivo: “ridículo”. Olhe à sua volta, Sr. João Pinho! Em diversas áreas do saber existem trabalhos, estudos, publicações, onde os laços familiares dos autores estão presentes: na investigação científica, política, direito, medicina entre tantas outras. Esteja atento e verá tantos exemplos. Onde está a falta de ética, Sr. João Pinho? Leia, reflita e repense sobre o conceito de ética.

Relativamente ao “prefácio” do estudo em causa, acha o senhor estranho que “tenha sido escrito pelos próprios” autores. Consulte uma simples gramática da língua portuguesa para o terceiro ciclo e verá, no capítulo referente ao “Paratexto”, que o “Prefácio” pode ser escrito pelo(s) autor(es), os quais apresentarão as motivações da escrita, a organização do texto, etc., ou pode ainda ser escrito por alguém conhecedor da obra. Faz-se então, geralmente, uma apreciação, em princípio, elogiosa da obra…, etc. etc.

Como vê, não é assim tão estranho um autor escrever o prefácio da sua obra. É normal isso acontecer. Agora quando, talvez, salvo as devidas exceções, se pretenda ser elogiado ou quiçá, subalterno, então, este é o caminho escolhido. Parece ser este, talvez, o seu caso, o qual nos é completamente indiferente. Por isso compreendemos que nos aconselhe a recorrer a um professor universitário. Nada temos contra a universidade, que muito respeitamos, nem contra os docentes universitários. Pelo contrário, para além do respeito que nos merecem, temos até muito boas relações de amizade com alguns. Mas, se nos permite, largue as saias da “mamã” universidade! Emancipe-se!

Sobre a edição fac-similada realmente não foi possível fazê-la, não por “impreparação dos autores” – que falta de ética, civismo e respeito o senhor demonstra com esta sua afirmação – mas por razões burocráticas, com as quais o senhor nada tem a ver. Tem agora a sua oportunidade de publicar uma edição “fac-similada” do foral. Faça-a!

Ainda sobre este assunto, e por dizer que era uma ideia sua, por acaso já reparou quantas edições “fac-similadas” de forais manuelinos existem espalhadas por este país? Faz ideia de quantos municípios, de norte a sul do país comemoraram, com edições e festividades, a outorga dos seus forais Manuelinos? Foram todos ideia sua?

A falta de respeito que o senhor tem demonstrado, para com pessoas que não conhece, ao escrever estes dislates, chegam ao cúmulo de dizer “que fazemos uma distinção entre cultos e incultos, encaixando os autores no grupo dos primeiros”. Tenha vergonha Sr. João Pinho, o senhor parece não ter a mínima noção do que diz ou então tem-na e isso é bastante mais grave. Leia os princípios reguladores da comunicação e interação discursiva (vem em qualquer gramática da língua portuguesa) e verificará, se for capaz e conseguir ser isento na interpretação, que não fazemos qualquer distinção entre “culto” e “inculto”, como o tentou demonstrar.

Por último, quis o senhor, mediocremente, ser irónico, caindo, porém, no sarcasmo, quando se refere às citações bibliográficas. Como deve saber, ela obedece a normas rígidas e a sua menção ou omissão, num qualquer estudo, não depende da simpatia, antipatia ou vingança pessoal do autor…

E por aqui nos ficamos, sr. João Pinho, pois não vale a pena perder tempo com discussões deste jaez.

Sabemos que o território da UFSB é rico em património histórico-cultural e, por essa razão, e ainda por que acreditamos que é salutar, fazemos votos, no sentido de aparecer mais gente decidida a estudar, preservar e divulgar este tão vasto património, levando mais longe o nome e a cultura desta União de Freguesias de Souselas e Botão.

António José Ferreira Quinteira

Catarina Gisela Figueiredo Quinteira