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Semanário no Papel - Diário Online

 

Professor Doutor Cunha Vaz

A necessidade de consciencialização para uma maior atenção para a saúde visual

15 de Outubro 2021

O Dia Mundial da Visão, celebrado anualmente a 14 de Outubro, assinala a necessidade de consciencialização para uma maior atenção para a saúde visual. A Organização Mundial de Saúde refere que, globalmente, existem pelo menos 2,2 biliões de pessoas com dificuldades de visão e que em pelo menos 1 bilião destes casos a baixa visão podia ter sido prevenida ou tratada adequadamente.

As doenças da retina, nomeadamente as associadas ao envelhecimento são cada vez mais frequentes e acarretam problemas muito graves e impeditivos da atividade normal do dia-a-dia para além do impacto socioeconómico. São exemplos destas patologias a Degenerescência Macular da Idade; a Retinopatia Diabética e o Glaucoma. É de realçar que estas doenças são “silenciosas” por falta de sintomas percetíveis em fases iniciais sendo muitas vezes diagnosticadas tardiamente. Neste sentido, a investigação atual foca-se no desenvolvimento e identificação de biomarcadores que possam indicar o risco de progressão destas patologias e facilitar novas estratégias terapêuticas.

Doenças como a diabetes, que afeta cerca de 500 milhões de adultos no mundo, têm também associadas comorbilidades visuais, sendo a perda de visão causada pela Retinopatia Diabética a sua principal complicação. Como tal é cada vez mais importante a função desempenhada pelos Programas de Rastreio promovidos pelas Administrações Regionais de Saúde. Contudo, algumas doenças da visão apresentam alterações de origem genética que levam à perda de visão irreversível, em muitos casos em idade precoce. Avanços científicos recentes deram origem a tratamentos inovadores que abrem portas à possibilidade de recuperação da visão em indivíduos com doenças genéticas visuais para as quais não havia até agora qualquer esperança.

De salientar que nos dias de hoje a deficiência de visão torna-se cada vez mais relevante no dia-a-dia, particularmente causada pela dependência que existe do telemóvel, da televisão e de outros equipamentos eletrónicos que interferem com a qualidade visual pelos danos causados na retina através da luz emitida pelos seus ecrãs.

É, assim, fundamental uma aposta do Serviço Nacional de Saúde num Programa Nacional de Prevenção e Protecção da Visão que envolva todos os parceiros e possa garantir a prevenção da perda da visão e da cegueira provocada por causas genéticas ou pelo envelhecimento, mas, também, pelo uso frequente da tecnologia. Se o Governo considera prioritário o desenvolvimento das competências digitais é fundamental garantir a proteção da visão.

(*) Ex-presidente da AIBILI – Associação para Investigação Biomédica e Inovação em Luz e Imagem