Coimbra  22 de Maio de 2024 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Hernâni Caniço

A juventude move-se!

4 de Agosto 2023

A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Portugal merece algumas reflexões, pelas condicionantes e precedentes, pela mobilização conseguida, pelo impacto gerado e pelo futuro que perpassa a juventude no seu poder limitado pelos senhores da guerra, pelos donos do mundo e pelas condições sociais que enfrentam no submundo.

Depois do escândalo do assédio sexual de crianças e jovens por altos representantes da Igreja, cujo trajecto deve seguir o caminho da lei, da ordem institucional e do castigo da sociedade, realiza-se em Portugal um evento que rondará um milhão de jovens de cerca de 190 países, que se mobilizam pela crença e pela fé, que dispensam o tumulto e o confronto, que prescindem de aditivos e fugas da realidade.

Portugal é, por uma semana, o centro do mundo católico, mas não só, é o expoente da juventude que não deixa de ser irrequieta, a par do conformismo dogmático (em evolução?), podendo tornar-se uma ínclita geração, se a abertura prometida e indiciada pelo Papa se aliar aos decisores da classe política traduzindo valores, apoiando palavras e obras, intervindo para ensinar e não para locupletar.

Mais além, os reflexos deste movimento constroem as mentalidades que quereríamos fossem pelo progresso, as vontades que desejaríamos ser pelo bem-fazer, e o respeito pela diversidade simultâneo com o combate à desigualdade em direitos, e também novas oportunidades de reflectir sobre as ameaças à Humanidade, proclamando a favor do nuclear – não, obrigado, e contra a lei da bomba – pela vida das pessoas e espécies.

A economia global e o dia-a-dia das pessoas, não podem ignorar as taxas de juro, a inflação, o limiar da sobrevivência e a qualidade de vida, pelo que é preciso conciliar o que são custos de realizações (nada se faz sem despesas), com os limites do supérfluo, da ostentação, da sumptuosidade e dos negócios por ajuste directo, e a exaltação do novo-riquismo que fica bem (fica mal…).

Turismo sustentável

O turismo sustentável (este será?) é aliado do Desenvolvimento e esta realização da JMJ é uma ocasião (conseguida?) de conferir a Portugal ser um padrão que tem em conta os actuais e futuros impactos económicos, sociais e ambientais da sua acção, considerando as necessidades de quem nos visita, do meio ambiente, das nossas comunidades e das organizações sociais e económicas.

Em Coimbra, ter a visitá-la e a conviver com famílias e sociedade civil, mais do que um dia, 20.000 jovens de 93 países, é obra. É obra do prestígio de Coimbra consolidado pelos séculos, é obra da força da Igreja católica nas suas virtudes e dos seus representantes locais na iniciativa e proximidade afectiva, é obra das famílias que sabem receber e partilhar, em coesão e dinâmica familiar universalista.

Infelizmente, não há obra conhecida da entidade autárquica que se estruturasse para divulgar a cidade e o concelho, para mobilizar recursos humanos, serviços públicos e exposição de património, para apoiar jovens (alguns muito jovens) nas suas intercorrências ou personalidades individuais, para se articular com as famílias benfazejas e receptoras da juventude e alegria, e para tornar público se há ajuda concreta às entidades eclesiásticas que também são comunidade e merecem esteio.

Coimbra tem mais encanto e, apesar de não ter tudo o que devia, vai ter a visita futura dos pais destes jovens (e deles próprios), sensibilizados pelos filhos, porque Coimbra tem história atractiva e de enleio, tem memória portentosa e admirável e tem gente boa, humana. E mais terá, se Coimbra solidária quiser.

A juventude move-se! A juventude católica e não só. Pelo mundo, por sentimentos de cordialidade e afeição, por princípios, causas e ética, pela fé e/ou pela evidência, pela Paz e pela Humanidade, pelo direito a ser feliz.

(*) Médico