Coimbra  18 de Maio de 2022 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Silva

A grande guerra antipatriótica

4 de Março 2022

A participação da União Soviética na segunda guerra mundial contra a Alemanha nazi implicou um enorme sofrimento para o povo russo, pela enorme destruição do país e sobretudo pela morte de mais de 20 milhões de russos.

Ainda hoje há muitas famílias russas que choram os seus familiares e por isso os mais idosos dão uma enorme importância a esse momento da sua história que está retratado num museu em Moscovo sobre o que designam: “A Grande Guerra Patriótica”.

Este é um local que ilustra o dramático sofrimento do povo russo e a coragem do Exército Vermelho que derrotou e expulsou o exército nazi. É, ainda um museu que funciona como um local de romaria dos russos.

É por os nazis serem ainda hoje recordados como “o grande inimigo” que Putin argumenta que a intervenção na Ucrânia tem em vista derrotar os nazis que ali se acoitam, nomeadamente no seu governo.

Ora esta narrativa putiniana, face à lembrança ainda viva do que foi o sofrimento trazido pelos nazis na última grande guerra leva a que, sobretudo os mais idosos, o apoiem nas suas decisões bélicas, contrariamente aos mais novos que se vão manifestando apesar das graves consequências que isso implica.

Penso que todos aqueles que respeitam e admiram a bravura russa e o amor à sua terra – a “Mãe Russa” -, e que admiram os seus grandes vultos culturais, que são referências para toda a humanidade, estarão hoje profundamente tristes e envergonhados.

Amanhã talvez haja um novo museu na Rússia, a ilustrar estes tempos tristes e que se chamará o “Museu da Guerra Antipatriótica”.

A RESPOSTA DOS CONDISCÍPULOS DE PUTIN ÀS NOSSAS DÚVIDAS

São muitas as interrogações sobre o desenvolvimento da invasão russa na Ucrânia. O que vai acontecer a seguir? Quanto tempo demorará? Vai estender-se a outros países? Etc.; etc.; etc.

Ora, pelo que tenho vindo a ler há um significativo conjunto de cidadãos portugueses que estão empenhados numa condenação soft de Putin e na culpabilização hard da NATO, a quem atribuem a culpa pela invasão militar da Ucrânia.

Sendo assim, parece óbvio que Putin tem por aqui defensores, verdadeiros condiscípulos ideológicos e estratégicos, que terão informação priviligeada e que poderão responder com segurança às dúvidas que nos assaltam sobre os seus desígnios relativamente à guerra que iniciou.

Ficamos à espera que nos esclareçam.