Coimbra  17 de Julho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

João Pinho

A cultura que gera cultura: Três livros, três lugares, 1 000 pessoas

21 de Setembro 2017

 

17 - Op Salão Paroquial de Antanhol

Salão Paroquial de Antanhol – sessão de lançamento do livro sobre o caminho de Santiago de Compostela

Há momentos que marcam a vida. Que nos demonstram o acerto das decisões e dos caminhos tomados e dão ânimo para continuar. Foi o que senti nos dias 08 de Setembro, em Midões (Tábua), no lançamento da monografia da freguesia e a 10, com o lançamento da monografia de Anobra (Condeixa).

É difícil descrever por palavras o que nos invade a alma quando após anos de trabalho revelamos o produto final perante plateias compostas por 300 pessoas (grandioso testemunho colectivo!), algumas participantes do projecto directa ou indirectamente.

Ficou evidenciado o poder da história, designadamente, da local e regional. Caminho que urge seguir para salvaguarda da memória, com envolvimento das comunidades, instituições e agentes culturais. Temos um potencial imenso, que merece outro tratamento por parte de quem nos governa nas altas esferas.

Satisfizeram-me, em particular, as palavras da dr.ª Liliana Pimentel, em Anobra, e da dr.ª Ana Paula Neves, em Midões, ambas vice-presidentes das respectivas Câmaras Municipais (Condeixa e Tábua), e que comungaram de um ideal comum: valorização do património das freguesias com definição pública dos caminhos a seguir. Registei a coragem e firmeza do ideal, reafirmado pelos presidentes das edilidades também presentes nos actos (Nuno Moita e Mário Loureiro).

Refeito das emoções voltei a marcar presença num evento de grande adesão popular. No sábado passado, dia 16, o antigo oficial da Marinha de Guerra António Oliveira Bento lançava, em Antanhol, o seu quarto livro. Depois das «Memórias de um passado» (monografia da freguesia editada em 2004), do «Caminhando…Saboreando» (reflexões, frases e pensamentos, 2006) e do «Reflexões ao Espelho» (diário intimista de 2010), brindou-nos com o «E, não só…Reflexões de um caminhante de Compostela».

Um momento também de grande emoção, com presença de figuras de prestígio como Joaquim de Sousa (provedor da Santa Casa da Misericórdia de Paris), Roseira de Mariz (fundador do PS), ou do escritor espanhol Luís Francisco. Em uníssono salientaram o humanismo e altruísmo de António Bento, bem como as particularidades dos Caminhos da Espiritualidade Internacional, com óbvio destaque para o Caminho de Santiago.

Para alguns o livro enquanto suporte físico de informação é coisa do passado. Importante é apostar de forma desvairada nas novas tecnologias. Para outros o que se passa nas nossas comunidades e freguesias é coisa de somenos importância. Importante é anunciar eventos de grande impacto que pouco ou nada dizem ao povo, efémeros a maioria, gravitando na estratosfera da megalomania.

Pergunta-se, a título de exemplo: quantos eventos culturais desta tipologia e com esta adesão a cidade de Coimbra consegue realizar? Atenção. Eu escrevi culturais e não desportivos, políticos ou sociais.

(*) Historiador e investigador

 

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