Coimbra  15 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Viegas Nascimento homenageado nos 60 anos da Fundação Bissaya Barreto

27 de Novembro 2018

Patrícia Viegas Nascimento, actual presidente da Fundação Bissaya Barreto; Manuel Machado, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, e Laborinho Lúcio, magistrado 

 

A Fundação Bissaya Barreto (FBB) que, durante 27 anos, foi liderada por Nuno Viegas Nascimento homenageou o homem que a fez prosperar, no dia em que se assinalaram os 60 anos desde a sua criação.

Viegas Nascimento, que faleceu prematuramente, presidiu à Fundação entre 1981 e 2008 e foi lembrado pela família, amigos e colaboradores, ficando a sua memória e obra eternizadas num busto no hall da sede da instituição, em Bencanta.

Na sessão comemorativa, a actual presidente da FBB, Patrícia Viegas Nascimento, começou por destacar o papel preponderante do seu patrono, Bissaya Barreto, recordando que foi “um homem maior, um visionário e um humanista de excepção, que se posicionou muito à frente do seu tempo, empreendendo um modelo de filantropia e medicina social pioneira, preventiva e inovadora em Portugal”. É, por isso, “um dever de gratidão” da Fundação “resgatar a sua memória, celebrar o seu exemplo de vida e o pioneirismo da sua acção em prol dos grupos mais vulneráveis da sociedade”, um princípio que continua, hoje, “a nortear, inspirar e a justificar a conduta e a forma da Fundação intervir na sociedade”.

O exemplo, o legado e os valores de Bissaya Barreto foram, depois, seguidos pelos seus sucessores, inclusive por Nuno Viegas Nascimento, que “herdou um legado ímpar”, dedicou grande parte da sua vida a “consolidar e a projectar a Fundação para patamares superiores de realização, posicionando-a entre as mais prestigiadas do país”, afirmou Patrícia Viegas Nascimento.

O timoneiro de FBB durante quase 30 anos “procurando intervir em áreas onde o Estado e o mercado não tinham capacidade para responder ou davam uma resposta deficitária”, adiantou a actual responsável.

O espírito inovador e criativo de Viegas Nascimento traduziu-se na criação de várias valências pioneiras na FBB, como sejam o “apoio à criança, a protecção e apoio à pessoa idosa, projectos de direitos humanos e de defesa e protecção das mulheres vítimas de violência doméstica”.

Manuel Machado, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, destacou que esta era “uma justa homenagem a Viegas Nascimento, porque foi um continuador marcante da obra social criada por Bissaya Barreto, adaptando-a às exigências de um tempo novo e sabendo empreender, de forma inovadora e com solidariedade”. O autarca sublinhou, ainda, a importância da FBB, uma instituição “ímpar na cidade, no país e na Europa, com uma missão que destaca e valoriza o melhor dos valores humanitários, éticos e de responsabilidade social” e que “com um trabalho sempre inovador e criador em benefício da cidade, da pátria e da humanidade”.

Laborinho Lúcio, magistrado e ex-ministro da Justiça, foi o presidente do júri do Prémio e orador convidado da sessão, palestrando sobre “a criança e os direitos, a casa e a rua”. O jurista destacou o trabalho da Fundação no campo da investigação científica, deixando no ar a sugestão à Fundação de “abrir uma prática regular de um diálogo de saberes, em que especialistas qualificados de áreas do saber que interessam ao conhecimento sobre a criança, se reúnem para trabalhar essa interacção dos seus saberes, dando depois conta ao público quais foram os avanços significativos relativamente ao conhecimento daquele objecto científico que é a criança sujeito de direito”.

O anterior presidente tem sido, também, lembrado anualmente com a entrega de um prémio em seu nome, que lhe “presta homenagem ao distinguir instituições que contribuem para o alcance dos objectivos maiores que foram também seus, o da criatividade, inovação, cidadania e promoção da qualidade de vida, da felicidade e da dignidade humana”, relembrou Patrícia Viegas do Nascimento. Este ano, na quinta edição do Prémio, os galardões foram atribuídos às associações ‘Sociedade do Bem’, de Évora, e à ‘Ludotempo’, de Leiria, que receberam 25 000 euros, esperando que ajudem a que as práticas das premiadas “ganhem impacto e escala, podendo vir a ser replicadas por outras instituições”.

Para a presidente da FBB, o futuro será sempre o de “continuar a honrar o trabalho dos que nos antecederam, a educar e a formar para os direitos humanos; a diagnosticar problemáticas existentes e a antecipar soluções; a combater fenómenos de exclusão social, apostando no trabalho em rede e nas parcerias institucionais; a divulgar boas práticas e a estimular o debate de ideias, educando pela arte e pela cultura, e defendendo a sua importância enquanto veículo de integração e inclusão social”, concluiu.

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