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Victor Costa: Faleceu antigo dirigente do PCP em Coimbra

18 de Janeiro 2018

Antigo deputado e dirigente da Organização Regional de Coimbra do PCP durante vários anos a seguir ao 25 de Abril de 1974, Victor Costa faleceu, ontem, em Lisboa, vítima de doença.

Victor Costa, que dirigiu também o Ateneu de Coimbra, foi professor de Geologia na Universidade de Coimbra desde 1968 até 1976 e um dos responsáveis pela criação, organização e implantação do Movimento Democrático de Coimbra, assim como pela organização do III Congresso da Oposição Democrática em Aveiro.

Militante do PCP desde 1970, foi membro da Assembleia Municipal de Coimbra, deputado à Assembleia da República, em 1989 -90, e, nos quatro anos seguintes, chefe de gabinete do Grupo Parlamentar do PCP, força política de que se demitiu de militante em 2005 e cessou qualquer actividade partidária.

Em 2014, Victor Costa lançou o livro “A força do povo – O 25 de Abril em Coimbra”, onde dá a conhecer a singularidade do golpe do Movimento das Forças Armadas (MFA), tanto na cidade do Mondego como no distrito.

Sobre o falecimento desta figura de Coimbra, Manuel Rocha, militante comunista e ex-director do Conservatório de Música, escreve que “é no momento em que nos morrem que damos conta de quanto nos pertencem; antes disso limitamo-nos a acompanhá-los no lado imortal das nossas vidas, quando a memória ainda não é ainda o lugar onde os guardamos”.

“No segundo a seguir a saber que o Victor tinha deixado de viver vi-o de novo sentado à secretária da mezzanine que ficava ao fundo do salão do CT do PCP, ali à rua da Sofia. Não foi aí que o conheci, sorridente como me aparece em todas as imagens que dele retenho. Terá sido no Ateneu, num daqueles encontros em que se cantava ‘vozes ao alto, unidos como os dedos da mão’”, recorda.

Manuel Rocha lembra, igualmente, que foi com ele que aprendeu “a não ter medo da História, como naquela caravana da Oposição Democrática perseguida pela GNR nas estradas dos pinhais de Cantanhede e Mira, atirando folhetos anti-fascistas pelas janelas dos automóveis”.

“A última vez que vi o Victor Costa foi no pavilhão de Coimbra na Festa, entre ‘os de Coimbra’ que ali se juntam, chegados dos muitos lugares da geografia à procura uns dos outros, e das memórias que juntos modelaram, e das lutas por que juntos se deram. Está connosco, como antes, só que agora acrescentado de saudade. Custa”, escreve Manuel Rocha.

Até ao momento desconhece-se a hora e o local da realização do funeral de Victor Costa, que enquanto aguardava ser operado a um tumor cerebral, no Hospital de S. Francisco Xavier, em Lisboa, foi um dos doentes infectados no surto de legionella.

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