Coimbra  25 de Setembro de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Verão no Teatrão este ano é dentro e fora de portas

11 de Junho 2021 Jornal Campeão: Verão no Teatrão este ano é dentro e fora de portas

A programação de Verão do Teatrão este ano é dentro e fora de portas.

“Tanto calcorreamos o teatro como o concelho de Coimbra, apostados que estamos em fazer do teatro um hábito próximo das pessoas. Por isso andarilhamos com Ilse pelas escolas da cidade, terminando uma temporada e um projecto que, desde Abril, nos dá a conhecer o universo literário de Ilse Losa”, disse em comunicado o Teatrão.

“Voltamos a calcorrear a Arregaça, preparando o próximo espectáculo e, enquanto isso, fazendo programação regular e mostrando o documentário realizado na primeira parte do projecto. Por isso inauguramos, em parceria com o Município, espectáculos regulares nas freguesias fora e dentro da cidade. A Grande Emissão volta, para todos os públicos e agora, em noites acaloradas, ao ar livre. Mas ainda abrimos portas para o Conservatório de Música de Coimbra, para a Associação Tarrafo, para o Pedro Diogo e o maravilhoso texto de Samuel Beckett e mostramos os trabalhos das turmas de teatro da companhia. Dentro ou fora mas sempre perto”, acrescentou.

 

PROGRAMAÇÃO JUNHO

Só cordas, Conservatório de Música de Coimbra

9 de Junho, 19h00

Uma ou muitas, mas sempre guitarras! Música de várias épocas, com predominância nos autores contemporâneos, interpretada por jovens guitarristas. Neste recital tocam a solo alunos de Guitarra Clássica do Conservatório de Música de Coimbra da classe da Professora Marta Costa e o Ensemble de Guitarras.

 

Ilse, a menina andarilha

11 Junho EB1 Dianteiro

17 Junho EB1 Casais de Vera Cruz

22 Junho EB 2/3 Rainha Santa Isabel

23 Junho JI e EB1 Ingote

24 Junho JI e EB1 Arzila

29 e 30 de Junho JI e EB1 Póvoa

A nova produção do Teatrão, estreada a 22 de Abril, termina no mês de Junho a ida às escolas do 1.º ciclo do concelho de Coimbra. Esta digressão é feita em parceria com o Município de Coimbra, pensada para estimular o interesse pela obra de Ilse Losa e apresentada com todas as condições de segurança. llse, Menina Andarilha cruza a obra literária de Ilse Losa com alguns elementos da sua biografia e do seu trabalho como jornalista, tradutora e editora. Encerra o ciclo de criação dedicado a autores portugueses que, depois de Sophia, Manuel António Pina e Afonso Cruz, nos reaproxima de Ilse. É um projecto que ambiciona, pelas várias actividades que gravitam em torno do espectáculo, ler, discutir e interpretar a sua obra como inspiração para o tempo presente.

Sinopse
Neste espectáculo estamos sempre a percorrer caminhos. Entre a aldeia e a cidade, a montanha e a planície, a memória da infância e o desejo de futuro traçamos os lugares que permitem encontrar a Maria Ana e a D. Emília, as vizinhas de Flor Azul, que vivem numa rua estreitinha. Também encontramos Um Artista chamado Duque, o cavalo vindo de Shetland, que trabalha com uma troupe de saltimbancos ou O Bonifácio, o papagaio – cantor do taxista Sr. Vicente. Cruzamo-nos com Dandy, o cão que roía toda a casa e se torna num estudioso do Império Romano. Caminhamos entre carvalhos, plátanos ou tílias, respirando os tempos da terra. São caminhos de memória, que ajudam a nunca esquecer como voltar a casa e a fazer nascer a vontade de continuar a andar.

 

Tutano, Tarrafo – Associação Cultural

14, 15 e 16 de Junho, 21h30

Sinopse
“Tutano” apela à reflexão sobre a condição humana através do exercício artístico da apropriação do olhar de Diógenes, o Cínico. Partindo de uma investigação especializada, construímos uma dramaturgia que vai para além do anedótico do personagem.
Um espectáculo forte, conflituoso, cru, com uma encenação despojada que procura questionar o público sobre a superficialidade cénica da realidade.
O Teatro deverá sempre confrontar o público com a sua realidade. Quantos Diógenes nos restam?

 

O jazz sai à rua

15 de Junho, 19h00

Actividade “De portas abertas” – Projecto de Intervenção Comunitária e Artística no Vale da Arregaça
Em colaboração com os alunos do Curso Profissional da Escola Artística do Conservatório de Música de Coimbra (CPJAZZ)
Lapa dos Esteios
Entrada Livre, sujeita a reserva e com transporte para os habitantes da Arregaça

Fazemos este concerto na casa de vizinhos, da Arregaça e nossos. A Quinta das Canas, onde fica a Lapa dos Esteios, é gerida pela GNR – Destacamento de Acção Fiscal. Vão receber-nos para um concerto com os alunos finalistas do curso de Jazz do Conservatório, vizinhos também e dar a conhecer um espaço incrível que passará a fazer das parcerias de programação do Teatrão. Neste concerto singular, os alunos finalistas do CPJAZZ enfrentam o público oferecendo o que de melhor têm vindo a granjear na sua jornada de descoberta do jazz. Centrando a sua acção numa escolha de repertório abrangente, irão enaltecer as idiossincrasias do jazz, sem descurar os cânones histórico-culturais, permitindo uma leitura e percepção da linguagem idiomática, característica dos períodos específicos da história do jazz.

 

De portas abertas DOC

Actividade “De portas abertas” – Projecto de Intervenção Comunitária e Artística no Vale da Arregaça

19 de Junho, 19h00, OMT

20 de Junho, 19h00, Clube Desportivo da Arregaça

Sinopse

De Portas Abertas, além de um documentário sobre a génese e criação de um projecto de intervenção, é uma discussão sobre as maneiras de ver o mundo, sobre conflitos gerados pela expansão urbana desordenada, abandono industrial ou preconceito sobre a habitação social, explorando as tensões entre o teatro popular e erudito, procurando contar as histórias e mostrar as coisas que continuam inauditas e invisíveis, e como estas se espelham em nós e revelam algo que permanece em cantos refundidos da nossa natureza. Tudo a partir duma simples pergunta: Onde fica a Arregaça?

Sérgio Emanuel Pereira é licenciado em Cinema pela Universidade da Beira Interior (2013). Trabalhou maioritariamente como freelancer de eventos, responsável pelo trabalho de câmera e edição, colaborando também em projectos de curtas-metragens e videoclips. Em 2015 inicia a gravação da longa-metragem independente “Vida. Manchas. Amor. Morte”, um projecto pessoal que vinha maturando desde a conclusão dos estudos, terminando a pós-produção do mesmo no final de 2018. Estagiou como videógrafo no Teatrão de março de 2020 a maio de 2021.

 

A grande emissão do mundo português

26 de Junho – Campo de Jogos Centro Norton de Matos – Sto. António dos Olivais

2 de Julho – EB1 Adémia – União Freguesias Trouxemil e Vilela

10 de Julho – Associação Desportiva e Cultural de Vila Verde – União Freguesias São Martinho de Árvore e Lamarosa

16 de Julho – Largo da Junta de Freguesia – Torres do Mondego

21h30

Depois de duas temporadas de sucesso na Oficina Municipal do Teatro e de alguma digressão pelo país, A Grande Emissão do Mundo Português volta a Coimbra, desta vez num formato ao ar livre e nas freguesias do concelho.

Estado Novo: 1933-1974, regime autoritário e corporativista, cuja propaganda assegurou longa vida, designadamente através da instrumentalização dos media, como sucedeu com a então chamada Emissora Nacional, encarregue de difundir e celebrar um retrato do país que colaborasse de forma determinante para manter o poder nas mãos de Salazar. Eis o tema a que este espectáculo se abalança, levando para cena as estratégias de encenação de um país mirífico e totalmente delirante, que talvez valha a pena pôr em diálogo com os tempos histórico e político presentes.

Num estúdio da Emissora Nacional, cinco trabalhadores levam a cabo um programa que dura 21 anos. O seu início, em 1940 (ano em que o regime inaugura em Belém, à beira do Tejo, a grande Exposição do Mundo Português – sumptuosa feira de vaidades “para português ver”, que celebrou o país português que não combatia na Segunda Grande Guerra mas ia do Minho a Timor), é marcado pela mudança na direcção da Emissora: a saída de Henrique Galvão e a entrada de António Ferro. O programa passa então a ser co-produzido com a Frente Nacional para a Alegria no Trabalho, procurando “educar sem aborrecer a nação”.