Coimbra  21 de Novembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Vandalismo: APPACDM apela à acção por parte de entidades e sociedade

4 de Junho 2018

Helena Albuquerque, presidente da APPADCM Coimbra, e Aline Seabra Santos, responsável pela “Casa de Chá”

 

“Pensamos que está na altura de agir”. É desta forma que Helena Albuquerque, presidente da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadãos Deficiente Mental (APPACDM) de Coimbra, vê a solução para um problema que tem sido cada vez mais comum na cidade: o vandalismo.

A afirmação vem no seguimento de mais um grafite pintado nas paredes da “Casa de Chá” da instituição, localizada no Jardim da Sereia, em Coimbra, uma semana depois da pintura dessas mesmas paredes.

A instituição quer, por isso, deixar “um apelo público à população de Coimbra e, em particular, aos órgãos policiais cuja função deve ser a de vigiar e preservar o património de todos, para que actos de vandalismo como este (…) não voltem a acontecer”, acrescenta a responsável.

“Acredito que a pessoa que fez isto não saiba quem somos, o trabalho que se faz aqui e que esta não é uma parede branca qualquer, é a parede de uma casa especial”, notou Helena Albuquerque, adiantando que de certeza “essa pessoa ou pessoas não conhecem o projecto da ‘Casa de Chá’”. A presidente da instituição garante não saber quem pintou a parede, excluindo qualquer hipótese de ter sido algum dos seus clientes, mas considera que, provavelmente, o seu autor “pensa que está a fazer arte e não tem noção do prejuízo que causou”.

O edifício da “Casa de Chá” tem sido alvo de pichagens constantes, uma prática que se tem vindo a intensificar desde há dois anos e que se “agravou ainda mais no último ano”. Em Abril de 2017, um grupo de voluntários do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC) ajudou a limpar as paredes, que ressurgiram vandalizadas pouco tempo depois. Agora, uma semana depois de uma nova acção de limpeza, uma vez mais protagonizada por voluntários do ISEC, uma das paredes volta a aparecer grafitada.

O local será, novamente, alvo de uma pintura, desta vez ao encargo própria instituição, que irá despender perto de 1 000 euros para a sua limpeza.

Apresentada uma queixa à Polícia de Segurança Pública (PSP), que disse não ter elementos suficientes para vigiar estes vandalismos, a APPACDM quer agora ver unidos esforços no sentido de “sensibilizar a população para esta problemática, que há muito tempo a consente, sem fazer nada, nem dizer nada quando assiste a um acto deste tipo”.

“A população de Coimbra não sente o património como seu, mas ele é de todos, é a nossa história”, realça a presidente, considerando que “uma cidade que não tem memória, não tem coração”.

A instituição quer ver população e entidades competentes a colaborar, como o caso da PSP para que “redobre os seus esforços, construindo um plano específico para a conservação do património em Coimbra”, em articulação com a Universidade de Coimbra e a Câmara Municipal, que “têm responsabilidade e deveriam sensibilizar”.

A própria APPACDM tem já pensadas algumas acções de sensibilização em relação a este problema, que foi “eliminado” ainda há pouco mais de uma semana “por um grupo de voluntários que, com toda a boa vontade e de coração, ajudaram a remodelar a ‘Casa de Chá’”.

O apelo feito, hoje, pela APPACDM inclui, contudo, o(s) autor(es) da pichagem em causa, a quem a APPADCM dirige algumas palavras (que publicamos, na íntegra, no final da notícia).

A APPACDM, à mercê de apoios governamentais e de donativos, não consegue suportar as inúmeras reparações de que necessita a “Casa de chá” devido a actos de vandalismo.

Aquele estabelecimento tem como objectivo a integração profissional de pessoas com deficiência e angariação de fundos, conjugadas com a pretensão de proporcionar ao público um serviço de cafetaria de qualidade num magnífico enquadramento natural (parque de Santa Cruz), devendo lançar o seu “menu de Verão” ainda esta semana.

Um espaço onde trabalham três pessoas com deficiência mental, que fazer os clientes perceber que “conseguem fazer este tipo de trabalhos e que têm talento”, ajudando à sua integração.

De momento, a “Casa de Chá” tem em vigor uma campanha de donativos para remodelação do edifício, parte usado na última limpeza das paredes, mas também para o telhado e para a sala interior. Quanto à nova acção de limpeza, que deverá ser realizada em breve, será assumida na totalidade pela instituição e não proveniente dos fundos angariados no âmbito desta campanha solidária.

vandalismo

Comunicado:

“Somos uma instituição que apoia cerca de 1 200 pessoas com deficiência intelectual, e que trabalha todos os dias com centenas de colaboradores, familiares e voluntários, de forma a conseguir que cada pessoas com deficiência mental possa atingir a sua plenitude como ser humano. Vivemos todos os dias no limbo da sustentabilidade. Se não tivéssemos uma parte empresarial tão desenvolvida, não tínhamos hipótese de dar o apoio de excelência de que tanto nos orgulhamos e que é reconhecido internacionalmente.

A ‘Casa de Chá’ é uma das nossas sete empresas, é uma das nossas caras mais queridas, é uma das principais fontes de obtenção de verbas. Não vandalizaram uma casa qualquer. Estragaram sim uma das imagens mais características desta instituição, que também é vossa e que deve e tem que ser respeitada por todos.

E foi por esta razão que quando vimos que a pichagem e os ‘grafitti’ atingiram um estado insustentável, dispondo de poucos recursos financeiros, resolvemos mover, com algum esforço e muito entusiasmo, algumas dezenas de pessoas, incluindo um grupo de voluntários do ISEC, de forma a que esta nossa cara fosse lavada e todos nos continuássemos a sentir revistos nela. Aqui trabalham pessoas com deficiência mental que todos os dias dão o melhor para que este seja um projecto com sucesso, através do qual lhes seja devolvida a dignidade que talvez noutros locais da cidade, seja difícil de conseguir.

E é por todas estas razões que a Direcção da APPACDM de Coimbra irá, novamente, proceder, agora às suas custas, à remoção da pichagem feita e novamente à pintura da parede que foi vandalizada. Espero sinceramente e de coração aberto que a obra que executarmos permaneça intacta e limpa durante muito tempo”.

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