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Vacinas covid: Presidente de Soure acusa denunciantes anónimos de “cabala política”

1 de Fevereiro 2021 Jornal Campeão: Vacinas covid: Presidente de Soure acusa denunciantes anónimos de “cabala política”

O presidente da Câmara Municipal de Soure Mário Jorge Nunes esclareceu, hoje, que “não foi vacinado contra a covid-19”, depois de uma reportagem da RTP afecta ao programa “Sexta às Nove”, baseada em “denúncias anónimas”, ter revelado que o autarca (bem como a mulher e a filha) teria sido vacinado indevidamente.

A reportagem da RTP, emitida na sexta-feira (29), focou-se, segundo Mário Jorge Nunes, em “questões pessoais”.

O edil convocou, por isso, uma conferência de imprensa para esclarecer a situação, que diz ter sido despoletada por uma denúncia anónima que referiu que o autarca e pessoas muito próximas do mesmo teriam sido “vacinadas ao arrepio das prioridades e normas que estão estabelecidas para o referido Plano de Vacinação”.

Depois de uma primeira abordagem, o presidente da autarquia sourense deu uma entrevista para a equipa da RTP, na qual foi: “confrontado novamente com uma bateria de questões pessoais de todo o tipo, desde a curiosidade com a idade, até à condição médica, e mais uma vez embrulhado num mar de suposições que para além de mim, envolviam outras pessoas que me estão próximas”, razão pela qual decidiu responder (sobre o facto de ter sido ou não vacinado): “não confirmo, nem desminto”. “Por entender no momento que o óbvio estava bem à vista de todos, incluindo da senhora jornalista: não havia um facto que me ligasse a qualquer processo de vacinação, não havia um depoimento de alguém entrevistado sob identificação (mesmo que em anonimato) que me referisse como tendo sido vacinado; e não havia um sequer indício de que tal tivesse sucedido”, notou.

O presidente de Soure considera, por isso, que toda esta situação se trata de “uma cabala política de falsidade que há quatro anos está a jogar sujo”, garantindo: “não fui vacinado, não vi nenhuma lista, não sei quem as tem, não tive acesso a elas, e nem teria de ter”.

“O que interpretei da reportagem da RTP é que era um assunto pessoal, direccionado à minha pessoa e aos meus mais próximos”, afirmou, sublinhando que “não podia compactuar” com a exposição da sua vida privada e revelando que será vacinado apenas na terceira fase do Plano nacional.

Quanto a alguma ligação que tenha a uma instituição da freguesia de Samuel, Mário Jorge Nunes apenas disse que “há quem goste” de o colar a essa entidade. “É um fetiche dos denunciantes de Soure”, frisou.

Foi, também, referido que o autarca teria dado o nome de bombeiros para serem vacinados – a propósito de três doses sobrantes – facto que o mesmo desmentiu, realçando apenas que contactou o comandante dos Bombeiros Voluntários de Soure e que coube a esse responsável seleccionar os voluntários que seriam vacinados.

“Compete-me defender o interesse de Soure e das suas instituições, dentro dos limites da razoabilidade, mas não cabe ao presidente da Câmara imiscuir-se ou intervir no funcionamento dessas mesmas instituições”, afirmou, adiantando que, por isso, mesmo, não tem conhecimento de como decorreu a vacinação dentro das várias instituições de solidariedade social do concelho.

Mário Jorge Nunes ressalvou, ainda, que “não pode valer tudo em política, como usar o achincalhamento pessoal e as suspeitas sobre as famílias”, acrescentando que tem a “consciência tranquila”.

“Num momento em que vivemos um dos maiores reptos à nossa resiliência colectiva, comigo não contam para actos que não visam outra coisa senão diminuir a confiança dos cidadãos nas instituições, e que no meu caso é um ataque pessoal e à Câmara que dirijo. Mais um ataque falso, cobarde e anónimo, como o tem sido os últimos quatro anos da pequena política sourense”, revelando que este ataque é de “meia dúzia pessoas que andam nas redes sociais, umas anónimas, outras não” e recordando que “ainda hoje decorrem vários inquéritos com as autoridades judiciais, com o mesmo tipo de denúncia e foram arquivados outros com o mesmo conteúdo, grafismo e forma de abordagem”.

O autarca de Soure garante, contudo: “A minha agenda é a de vencer esta pandemia, não é a de vencer eleições em Outubro. Serei vacinado, quando as prioridades da Direcção Geral de Sáude o ditarem, indicarem o meu nome, e se eu assim o entender”.