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UC vence concurso europeu com solução para regenerar o nervo periférico

18 de Dezembro 2018

Arménio Serra, Jorge Coelho, Catarina Pinho, Ana Fonseca e Pedro Matos

 

O projecto de um inovador tubo-guia biodegradável para regeneração de nervo periférico após lesões, realizado por uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), acaba de vencer a final do concurso europeu “PhD transition fellowships”, promovido programa EIT Health.

Esta inovação foi desenvolvida no âmbito da tese de doutoramento de Catarina Pinho, intitulada “Polymeric Nerve Guide Tubes for Peripheral Nerve Regeneration” e ficou à frente de trabalhos apresentados pelas universidades de Oxford (Inglaterra), Sorbonne e Grenobla Alpes (França), e pelo Instituto Karolinska, da Suécia.

O projecto contou com a colaboração da Faculdade de Engenharia do Porto (FEUP) e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), que ajudaram a desenvolver um inovador tubo-guia biodegradável para regeneração de nervo periférico (nervo responsável pela função motora e/ou sensorial).

As lesões de nervo periférico causadas, por exemplo, por acidentes rodoviários e laborais, danos tumorais ou infecções virais, representam um importante problema de saúde, registando-se, anualmente, na Europa, 300 000 casos. “As lesões de nervo periférico estão quase sempre associadas a lesões secundárias e, muitas vezes, provocam danos irreversíveis, como a perda de locomoção”, explica a UC.

Este novo tubo-guia, já protegido por patente provisória, distingue-se “por ser um dispositivo biodegradável de forma controlada, produzido integralmente com materiais aprovados pela FDA [Food and Drug Administration], não tóxico e completamente seguro, que cria um microambiente propício à regeneração do nervo, isto é, promove a adesão e proliferação celular”, salienta o coordenador do estudo, Jorge Coelho, adiantando que outra característica desta inovação é “o facto de ser um tubo flexível, de dimensão adaptável ao tipo de lesão do nervo”.

Simplificando, “depois de implantado no paciente, o tubo-guia de base polimérica vai indicar o caminho correcto para que as extremidades separadas pela lesão (corte) possam juntar-se novamente e retomar a sua função”, sublinha o investigador e docente do Departamento de Engenharia Química da FCTUC.

O tubo foi testado em modelos animais (ratinhos) e apresentou “resultados muito promissores”. “O tubo-guia foi implantado em modelos de neurotmese – lesão do nervo ciático, o grau mais severo de lesão de nervo periférico. Após 20 semanas, verificou-se a recuperação total da função motora e sensorial dos animais”, realça Jorge Coelho.

Os investigadores estimam que o tempo para a recuperação em humanos será entre 24 e 30 semanas.

Actualmente, as lesões de nervo periférico são tratadas frequentemente com recurso a autoenxertos, método que apresenta muitas desvantagens, como a resistência a sutura e sacrifício de um nervo saudável.

Este é já um conceito validade e com os ensaios ‘in vivo’ concluídos com sucesso, pelo que os investigadores ponderam, agora, constituir uma ‘startup’ da Universidade de Coimbra, tendo em vista a realização dos estudos necessários conducentes à comercialização do produto, conclui a UC.

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