Coimbra  18 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

UC revela que informação dispersa sobre incubadoras é prejudicial

23 de Janeiro 2018

Um estudo, desenvolvido pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), revela que a informação que existe sobre incubadoras é avulsa e está dispersa por diferentes entidades, o que pode “dificultar políticas para o sector”.

Nas conclusões, os investigadores da FEUC defendem que é necessário que o sector se conheça melhor a si próprio, já que “apenas existe informação avulsa sobre incubadoras em Portugal, não se identificando uma base de dados que agregue todo o sector”, revelou à agência Lusa o investigador responsável pelo projecto, Gonçalo Brás.

A ausência de informação estruturada e detalhada, sublinha Gonçalo Brás, poderá também ter impacto nas taxas de sobrevivência das ‘startups’.

“São diversas as estatísticas de entidades públicas e privadas que revelam taxas de sobrevivência de ‘startups’ relativamente preocupantes. A prevalência e sistematização de informação mais detalhada sobre o ‘cluster’ de incubação de empresas poderia proporcionar aos decisores políticos instrumentos mais adequados no sentido de aumentar as taxas de sobrevivência das ‘startups’ nacionais”, sublinhou.

Os dados apurados no estudo, relativos a 2014, revelam que cerca de dois terços das empresas incubadas chegam ao terceiro ano de actividade (numa amostra de 354 empresas). Contudo, essa taxa diminui substancialmente para 30 por cento “ao fim de sete anos de actividade”, concluiu.

Para além de não haver nenhuma base de dados no país que permita identificar a totalidade de incubadoras e de empresas incubadas, constatou-se que o CAE (Classificação de Actividade Económica) utilizado pelas incubadoras é bastante diversificado, o que torna ainda mais difícil “obter informação estratificada”.

Gonçalo Brás identificou mais de 170 incubadoras de empresas em Portugal, mas admite que o número real possa ser perto de 200.

“A informação está dispersa por livros, diversas associações de incubadoras de empresas existentes nalgumas regiões do país e, mais recentemente, dados na rede nacional de incubadoras. No entanto, se apenas considerássemos essas fontes, algumas incubadoras de empresas não seriam identificadas”, alerta o investigador.

Face à “relevância que as incubadoras de empresas podem ter ao nível da sustentabilidade de ‘startups’ ou de projectos incubados, o ‘cluster’ de incubação precisa de se conhecer melhor a si próprio”, defendeu.

Para Gonçalo Brás, a ausência de informação sobre o sector em nada beneficia os principais agentes envolvidos, podendo ser afectada a cooperação entre incubadoras ou empresas ou a articulação de políticas orientadas para esta área, além da dificuldade em monitorizar o desempenho das incubadoras de empresas.

O projecto, que foi supervisionado pelo ex-docente da FEUC, Miguel Torres Preto e que será publicado em livro, conclui também que se verifica uma grande disparidade do número de incubadoras de empresas por distrito.

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com