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UC: Proteínas convertem células da pele em células sanguíneas

22 de Fevereiro 2019

Uma investigação conjunta do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC), com três institutos dos EUA (Escola de Medicina Icahn no Monte Sinai), da Suécia (Centro Wallenberg de Medicina Molecular) e da Rússia (Instituto de Ciência e Tecnologia Skolkovo) conseguiram converter, pela primeira vez, células da pele em células do sangue.

A descoberta pode, segundo a UC, “ter um grande potencial na medicina personalizada (com produtos adaptados para o organismo de cada ser humano) para tratamento de doenças como a

leucemia”.

No artigo, é demonstrada a reprogramação directa de células humanas da pele em células estaminais hematopoiéticas, sendo que as células estaminais são as principais precursoras dos componentes do sistema sanguíneo, formando-se num processo designado de hemogénese.

“Este estudo é o primeiro a demonstrar essa reprogramação directa em células hematopoiéticas humanas, que poderá ser um primeiro passo no caminho de conseguir gerar células estaminais sanguíneas perfeitamente funcionais no laboratório”explica Filipe Pereira, investigador do CNC e coordenador do estudo, adiantando que “no futuro, estas células reprogramadas poderão ser transplantadas em doentes com doenças no sangue”.

Segundo o cientista “é extremamente interessante que apenas três proteínas [GATA2, FOS e GFI1B] consigam causar uma mudança tão drástica e que sejam conservadas evolutivamente entre ratinhos e humanos”.

O estudo demonstrou que a ‘GATA2’ “lidera esta combinação de três proteínas, uma vez que recruta as restantes duas para activar o processo de hemogénese e ‘desligar’ o programa normal das células da pele”, sendo que “após um período de três meses, comprovou-se que as células convertidas contribuem para a formação de novo sangue humano nestas cobaias [ratinhos]”.

“Após o transplante das células hematopoiéticas estaminais em ratinhos ter sido bem-sucedido, o próximo passo será aumentar a eficiência e a qualidade das células enxertadas para que contribuam para a formação de sangue durante maiores períodos de tempo” adiciona Filipe Pereira.

A determinação dos principais mecanismos do processo de reprogramação celular em células da pele humanas é o primeiro passo para a equipa de investigadores que procurará, no futuro, “estender o tempo de vida das células reprogramadas, pretendendo tornar este processo uma realidade na medicina personalizada, em doenças do sangue como a leucemia”, conclui o investigador do CNC-UC.

Além de Filipe Pereira, o artigo “Cooperative Transcription Factor Induction Mediates Hemogenic Reprogramming”, que foi desenvolvido ao longo de quatro anos, conta igualmente com Andreia Gomes (CNC-UC) como autora principal.

O estudo, já publicado na revista “Cell Reports”, foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (Portugal), pela Fundação Knut e Alice Wallenberg (Suécia), e pelo Instituto Nacional de Saúde (EUA).

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