Coimbra  21 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

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UC prescinde de colaboradores quase de um dia para outro

6 de Abril 2018

A Universidade de Coimbra (UC) prescindiu, recentemente, de dois prestadores de serviços, quase de um dia para outro, mas a Reitoria, interpelada pelo “Campeão”, é omissa sobre o assunto.

Inesperadamente dispensados, volvido pouco tempo sobre as aquisições de serviços, os prestadores têm em comum o facto de terem sido bolseiros.

O caso mais recente prende-se com os Serviços de Acção Social da UC, o anterior abrange uma aquisição para consultoria técnica no âmbito da Sessão da Primavera da M8 Alliance – Cimeira Mundial da Saúde (evento a realizar, durante este mês, em Coimbra).

Fontes auscultadas pelo nosso Jornal crêem que à medida da Universidade não será alheio o eventual alcance do Programa de Regularização Extraordinária dos Vínculos Precários na Administração Pública (PREVPAP), porquanto a aquisição de serviços é susceptível de ser encarada como indiciadora de necessidades de preenchimento de postos de trabalho.

O reitor da UC, João Gabriel Silva, disse ao “Campeão” pautar-se a vinculação de bolseiros por “contratos limitados no tempo”, cujos “concursos e prazos de vigência nada têm a ver com o PREVPAP”.

“É inadmissível alguém vir dizer que, de entre inúmeros bolseiros, sendo que anualmente expiram contratos, no seu caso tal se deveu a uma intenção de não adquirir vínculo ao abrigo do PREVPAP”, opina João Gabriel.

De resto, prossegue o reitor, os critérios para a obtenção de vínculo ao abrigo do Programa de Regularização Extraordinária foram definidos a nível ministerial, “não sendo sequer a eventual cessação ou continuidade dos contratos um desses critérios”.

Segundo o dirigente sindical Luís Lobo, o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas tem pressionado o Governo para que ele impeça docentes e investigadores de recorrerem ao Programa de Regularização de Vínculos na Administração Pública, sendo de 40 por cento o contingente de docentes da UC abrangidos por contrato temporário.

De acordo com o Jornal Público, “só um terço dos precários do ensino superior já tem lugar no Estado”. A avaliar pelo Diário de Notícias, “só 10 por cento dos precários integrados são professores e investigadores”.

Em entrevista recentemente concedida à Rádio Renascenca e ao diário Público, a coordenadora do Bloco de Esquerda declarou que “os reitores estão a pensar muito mal e a boicotar este processo”.

“Quem devia combater a precariedade é quem tem precariedade de forma mais aguda”, opina Catarina Martins, em cujo ponto de vista “no [sector] privado não se permitiria tantos anos de vínculos precários como há no público”.

Mediante interpelação feita pelo “Campeão”, João Gabriel Silva também não comentou o facto de um ex-presidente da AAC – Associação Académica (José Dias, líder concelhio da JS) e de dois representantes dos alunos no Conselho Geral da UC, Luís Bento Rodrigues e Daniela Rosa, trabalharem no Instituto de Investigação Interdisciplinar (III).

O III é uma unidade orgânica de ensino e investigação da Universidade de Coimbra, concebida para promover investigação e formação avançada interdisciplinares, “fomentando o cruzamento fértil entre áreas de saber e a agregação de equipas”.

 

 

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