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UC pondera queixa-crime por estragos durante protesto

23 de Fevereiro 2017

A Universidade de Coimbra pondera avançar com uma queixa-crime por estragos causados na sequência de uma manifestação promovida pelo Conselho das Repúblicas contra a eventual passagem da UC a fundação.

“Está a ser analisada a dimensão dos estragos” provocados, segunda-feira, na manifestação dos estudantes e “a questão de uma queixa-crime está em análise”, informou, ontem, à Agência Lusa, o Gabinete de Comunicação da reitoria da Universidade de Coimbra (UC).

Também ontem, o reitor da UC, João Gabriel Silva, enviou um ‘e-mail’ para a comunidade académica a criticar a actuação de “algumas dezenas de pessoas” presentes na manifestação promovida pela Conselho das Repúblicas.

“Subiram as escadarias que levam até à Sala das Armas no Paço das Escolas e entraram na Sala Amarela, apesar de ela estar vedada ao público”, conta o reitor, no e-mail a que a Lusa teve acesso, sublinhando que, dentro da Sala Amarela, os manifestantes desrespeitaram “o património”, “riscaram quadros antigos presentes na sala, fazendo até inscrições num deles”.

A mensagem do reitor está acompanhada de uma hiperligação que mostra fotografias dos estragos ocorridos, sendo possível constatar que no quadro do reitor da UC em 1907, João de Alarcão, está inscrita a frase “Fuck UC”.

As mesmas pessoas fizeram, ainda, “disparar o alarme de incêndio, partindo elementos do sistema de detecção e quase arrombaram as portas da Reitoria para ‘conseguir falar com o reitor’, sem terem solicitado qualquer encontro”, segundo João Gabriel Silva.

“É um abuso afirmar que alguém não quer reunir se o pedido de reunião não foi feito”, comentou o reitor, na mensagem à comunidade académica, considerando que em todas estas acções “transparece um profundo desrespeito pelo património da escola pública que esta iniciativa diz defender”.

De acordo com o reitor, para os estragos feitos serem repostos será gasto “muito dinheiro público” e, em muitas situações, “como no caso dos riscos nos quadros e nas pinturas nas cantarias, é apenas possível atenuar os danos, não sendo possível revertê-los totalmente”.

“O património secular da Universidade de Coimbra não é nem do reitor, nem deste grupo de pessoas, nem de nenhum grupo em particular, mas sim de todo o país, e até de todo o mundo. Degradá-lo não ajuda na defesa do ensino superior público, nem melhora a capacidade de o Conselho das Repúblicas fazer ouvir a sua voz”, sublinhou.

João Gabriel Silva lamenta, ainda, que, “em todo o período de preparação da manifestação do Conselho das Repúblicas, e de forma organizada, tenham sido feitas centenas de pichagens nas paredes dos edifícios da Universidade, e colados inúmeros cartazes sobre a iniciativa nos locais mais diversos, causando grandes estragos aos edifícios”.

A transformação ou não da instituição em fundação deverá ser discutida no Conselho Geral eleito em Dezembro de 2016, depois de o reitor ter proposto o início do debate da passagem ao regime fundacional em Julho.

“Lamento muito que o Conselho das Repúblicas acuse a Universidade de recusar o diálogo e de afastar grupos de estudantes da discussão da eventual passagem ao regime fundacional, quando o debate está aberto e vai durar”, frisou ainda o reitor, na mensagem enviada à comunidade da UC.

 

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