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UC participa em estudo que revela uma população idosa pouco saudável

16 de Julho 2018

Os investigadores da FMUC Ana Pinto e José António Pereira da Silva

 

“DO-HEALTH” é o nome de um estudo europeu que acaba de revelar os seus resultados preliminares, onde se constata que a população idosa portuguesa é pouco saudável.

Nesta investigação participou, também, um grupo de investigadores da Clínica Universitária de Reumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), liderado pelo professor José António Pereira da Silva.

O estudo, iniciado em 2012, trata-se do maior a nível europeu sobre envelhecimento, “que procura formas de melhorar a saúde dos idosos com mais de 70 anos, no qual estão envolvidos mais de meia centena de investigadores de sete centros universitários da Alemanha, Áustria, França, Portugal e Suíça”, revela a UC.

“As conclusões, referentes à primeira visita clínica dos 2 157 participantes no estudo, indicam que na Suíça 51 por cento dos idosos são considerados saudáveis; na Áustria 58 por cento; na Alemanha 38 por cento; em França 37 por cento e em Portugal apenas nove por cento. No global, 42 por cento dos participantes europeus foram considerados idosos saudáveis”, adianta a Universidade de Coimbra.

O projecto foi coordenado pela docente Heike Bischoff-Ferrari, da Universidade de Zurique, e os seus resultados permitem clarificar que são considerados idosos saudáveis os seniores que não apresentam doenças crónicas e têm uma boa saúde física e mental.

O ensaio clínico decorreu ao longo de três anos, nos quais foi pedido aos participantes que cumprissem, três vezes por semana, um plano de exercício simples em casa e tomassem diariamente suplementação de vitamina D e/ou ácidos gordos Omega 3 e/ou placebo, com o objectivo de “avaliar o efeito da vitamina D e do Omega 3 e do exercício físico na saúde cognitiva e física dos idosos”, salienta a instituição.

Depois, “os dados recolhidos vão ser analisados de forma a determinar os efeitos destas três intervenções em cinco principais dimensões: risco de fractura, função muscular dos membros inferiores, função cognitiva, tensão arterial e taxa de infecções”, de modo a que a informação obtida permita desenhar “estratégias que possibilitem aos mais velhos terem uma vida mais activa e saudável”, explica o investigador português José António Pereira da Silva.

Em relação a Portugal e aos seus baixos níveis de saúde, o docente e investigador da FMUC afirma que “estes resultados não surpreendem, mas preocupam”. “Temos os idosos menos saudáveis a todos os níveis, cognitivo e físico. É, sem dúvida, um problema relevante de saúde pública”, sublinha.

Quanto a possíveis causas, embora ainda não tenham sido devidamente avaliadas no estudo, José António Pereira da Silva acredita que “há a considerar todo um conjunto de recursos sociais com efeito na saúde dos idosos, que vão desde o valor das pensões até à facilidade de acesso à saúde. Há ainda um factor que pode ser muito determinante que é o nível educacional”.

Também do ponto de vista dos serviços de saúde em Portugal, o cientista admite que “há alguns sinais preocupantes”, que advém da diminuição da “acessibilidade aos serviços públicos – por exemplo, a redução do acesso aos transportes de doentes – e, por outro, uma aposta que parece deliberada dos partidos do arco de governação na medicina privada”, realça.

Contudo, enaltece a qualidade do Serviço Nacional de Saúde, reconhecida a nível internacional, que é “excelente por comparação com o custo que ele tem”.

Para a implementação do “DO-HEALTH” em Portugal foi criado um centro dedicado na FMUC, que implicou um financiamento da Universidade de Coimbra na ordem dos 200 000 euros, representando no total, com a contribuição da União Europeia, um orçamento de mais de 800 000 euros.

O orçamento total da investigação foi de 17.6 milhões de euros.

A equipa da UC, constituída por três enfermeiros, quatro médicos, dois fisioterapeutas e uma farmacêutica, recrutou e seguiu 301 idosos da região de Coimbra, que perfizeram três consultas anuais e nove contactos telefónicos trimestrais.

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