Coimbra  27 de Maio de 2019 | Director: Lino Vinhal

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UC: Investigadores estudam prevenção de acidentes com explosivos

13 de Maio 2019

Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) estão a estudar acidentes com explosivos ocorridos em Portugal nos últimos 20 anos, identificando causas e consequências, para definirem medidas de prevenção no fabrico e emprego destes produtos, foi hoje anunciado.

A equipa de investigadores é da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e está a desenvolver o estudo por solicitação da Polícia de Segurança Pública (PSP), no âmbito do projecto ‘Mais segurança, menos acidentes’, que resultará “num conjunto de medidas de prevenção a adoptar em situações de fabrico ou de emprego de produtos explosivos, ou artigos pirotécnicos”.

Para a realização do estudo, sob coordenação científica de José Carlos Góis, a equipa de especialistas recorre a informação do arquivo do Departamento de Armas e Explosivos da PSP.

“Estamos a tratar e analisar essa informação, de forma confidencial, para determinar, por exemplo, o número mensal e anual de acidentes, feridos (ligeiros e graves) e mortos; o lugar, freguesia e concelho onde ocorreram os acidentes; a causa provável, o tipo e dimensão dos danos; as entidades envolvidas no socorro, prestação de cuidados médicos e análise do acidente”, explica José Carlos Góis.

Os peritos vão, ainda, recolher e analisar notícias divulgadas em órgãos de comunicação social e procurar obter informações junto de corporações de bombeiros e da Autoridade para as Condições de Trabalho que possibilitem interpretar melhor esse tipo de acidentes.

Deste estudo, que ficará concluído até ao final de 2019, resultará a apresentação de “um conjunto de medidas de prevenção a adoptar em situações de fabrico ou de emprego de produtos explosivos, ou artigos pirotécnicos, bem como um modelo único de registo deste tipo de acidentes assente numa plataforma ‘online’, por forma a uniformizar os procedimentos das diversas entidades intervenientes no processo”, refere José Carlos Góis.

Nesse sentido, o relatório produzido pela equipa da FCTUC será “amplamente discutido com um grupo alargado de profissionais que actuam neste tipo de acidentes”, nomeadamente bombeiros, PSP, GNR e INEM.

As conclusões do estudo serão, também, uma contribuição para a reformulação do regime jurídico dos Produtos Explosivos e Substâncias Perigosas, que está em curso, que visa reunir a legislação que “actualmente se encontra dispersa por vários diplomas”, conclui o especialista da FCTUC.

Em Portugal há três fábricas que produzem explosivos para aplicação em pedreiras e em obras e 40 empresas (oficinas) de pirotecnia, na sua maioria de dimensão familiar.