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UC: Investigadores criam método para avaliar trajectos urbanos

31 de Julho 2019

Anabela Ribeiro, coordenadora do estudo e docente no Departamento de Engenharia Civil da FCTUC

 

Uma equipa das Faculdades de Ciências e Tecnologias (FCTUC) e de Ciências do Desporto e Educação Física (FCDEFUC) da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um método que identifica os trajectos urbanos onde os ciclistas estão menos expostos a poluentes.

Este estudo foi realizado no âmbito do projecto ‘SoMoMUT’ (Soft Modes Modelling in Urban Trips), financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

O objectivo do projecto passa por “contribuir para a promoção de modos de transporte activos (andar a pé, andar de bicicleta) nas cidades, identificando quais os trajectos mais adequados não só do ponto de vista do esforço, distância e do tempo, mas também da exposição a poluentes”.

No trabalho agora publicado, os investigadores apresentam uma metodologia para a comparação de rotas alternativas para ciclistas, considerando “não apenas a distância e o tempo de viagem, mas também o esforço e a exposição a poluentes resultantes das emissões de tráfego”, explicou Anabela Ribeiro, coordenadora do estudo e docente no Departamento de Engenharia Civil da FCTUC.

O modelo foi testado e validado com dois trajectos diferentes entre o Polo II e o Polo I da UC: um optando pela rua do Brasil e rua dos Combatentes da Grande Guerra; outro pelo Parque Verde – rua de Ferreira Borges – avenida de Sá da Bandeira.

Numa primeira fase, a equipa calibrou a relação entre o esforço dos ciclistas e a inalação de poluentes, em laboratório, tendo em conta as características da pessoa, da bicicleta e do meio envolvente onde é efectuado o trajecto.

Os investigadores chegaram à conclusão que “trajectos mais rápidos ou mais curtos podem não ser os melhores no que respeita à exposição a poluentes ou ao esforço médio exigido”, observa Anabela Ribeiro.

A docente considera que a metodologia agora desenvolvida poderá ser uma ferramenta poderosa de apoio à decisão tanto para as autarquias como para os cidadãos, pois “os municípios poderão decidir quais os melhores locais para instalar uma ciclovia do ponto de vista da exposição a poluentes”.

Já para os cidadãos, e através de uma plataforma amiga do utilizador, “poderão decidir se preferem o trajecto mais rápido ou um alternativo menos sujeito a poluição. Em simultâneo conseguem identificar as ruas ou os percursos onde terão de efectuar mais ou menos esforço”, exemplifica.

O estudo está neste momento em novas fases de desenvolvimento e aprofundamento, de modo a consolidar os resultados obtidos e a torná-los directamente úteis para a sociedade.

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