Coimbra  20 de Julho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

UC estuda formas de tornar as telecomunicações resistentes a falhas

14 de Janeiro 2019

Investigadores das Faculdades de Ciências e Tecnologia (FCTUC) e de Economia (FEUC) da Universidade de Coimbra e do Instituto de Telecomunicações de Aveiro estão a desenvolver novos modelos matemáticos e algoritmos para “aumentar a resiliência das redes de comunicações que sustentam os serviços críticos”.

As novas estratégias estão a ser desenvolvidas com base numa ideia de David Tipper, professor da Universidade de Pittsburgh, e pretende “tornar as redes de telecomunicações mais resilientes a falhas”, esclarece a UC.

“Uma avaria em redes de comunicações que suportam serviços essenciais pode causar danos incalculáveis. Por isso, as redes devem ser resilientes, ou seja, devem ter a capacidade de reagir e continuar a funcionar perante eventos indesejados como, por exemplo, corte de cabos, ou devem ser capazes de mitigar os efeitos no caso de desastres naturais ou de ataques de origem humana”, sublinha a Universidade.

Segundo o cientista David Tipper, “para aumentar a robustez e fiabilidade de uma rede de comunicação não é necessário que todos os elementos que a constituem apresentem elevada disponibilidade, o importante é escolher a ‘espinha dorsal’ (subestrutura física) da rede e trabalhar na disponibilidade diferenciada”.

Esta abordagem é, por isso, “muito interessante porque, devido à enorme complexidade das estruturas que compõem as redes, melhorar todos os seus elementos seria excessivamente dispendioso para os clientes. Assim, o desafio é seleccionar os elementos da rede a melhorar, de forma a conseguir atingir os objectivos de disponibilidade exigidos pelos serviços críticos a um custo reduzido”, afirma Teresa Gomes, coordenadora do projecto intitulado “ResNeD” (Resilient Network Design – enhancing availability for critical services), e que lidera uma equipa de 11 investigadores.

A docente do Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores da FCTUC e investigadora do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores de Coimbra (INESCC) esclarece, no entanto, que a ideia de David Tipper, só por si, não é suficiente. Por isso, “além de utilizar mecanismos clássicos de protecção, vamos também seguir uma outra abordagem, focada no estabelecimento de rotas alternativas geograficamente distantes e/ou que contornem as zonas de risco elevado”.

Ainda de acordo com Teresa Gomes, “quando há um desastre, esse evento afecta uma determinada zona da rede e teoricamente as zonas circundantes que continuam operacionais deveriam poder comunicar entre si. Actualmente, tal pode não acontecer porque o funcionamento e a arquitectura da rede não foram planeados para reagir rapidamente e adequadamente a esses eventos. É necessário explorar esse potencial”.

Para implementar as estratégias propostas no âmbito do projecto, a equipa de investigadores recorre à flexibilidade de gestão de rede proporcionada pelo actual paradigma designado por ‘Software Defined Networking’ (SDN), permitindo “tirar partido da introdução de elementos com disponibilidade diferenciada e optimizar o funcionamento multicamada das redes de comunicações”, adianta a UC.

No final do projecto, os cientistas esperam fornecer um conjunto de ferramentas para tornar as “redes do futuro mais resistentes a anomalias, garantindo que os serviços que são críticos para o país não são afectados”, conclui a docente da FCTUC que investiga na área de redes de comunicações há mais de duas décadas.

O projeto “ResNeD” é financiado pelo FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional – através do Programa Operacional de Competitividade e Internacionalização – COMPETE 2020, e por fundos nacionais através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com