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UC estuda disrupções nos relógios biológicos causadas pela apneia do sono

31 de Março 2021 Jornal Campeão: UC estuda disrupções nos relógios biológicos causadas pela apneia do sono

Uma equipa do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) estuda possíveis quebras nos relógios biológicos causados pela apneia do sono.

O estudo desenvolvido pretendeu perceber em que medida a apneia do sono, também denominada Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), pode “promover disrupções no funcionamento dos relógios biológicos, que por sua vez poderão estar na base das diferentes comorbilidades associadas à patologia, incluindo doenças cardiovasculares ou metabólicas (como diabetes ou obesidade), ou contribuir para o seu agravamento”, explica Ana Rita Álvaro, investigadora principal do projecto.

Os relógios biológicos, presentes em todas as células do nosso organismo, “são cruciais para a nossa saúde e bem-estar. Actuam como relógios internos, organizando todos os nossos processos biológicos ao longo do dia, de acordo com sinais do ambiente interno (alimentação, actividade física) e externo (luz, temperatura, níveis de oxigénio)”, fundamenta a investigadora do CNC.

Para avaliar o impacto da SAOS e do seu tratamento, a equipa recrutou 34 doentes com apneia do sono seguidos pela equipa do Centro de Medicina do Sono do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), antes e após tratamento com uma máscara que emite uma pressão positiva continuada (CPAP, na sigla inglesa), durante quatro meses e dois anos. Participaram também indivíduos saudáveis, para efeitos de controlo.

Através de amostras de sangue dos voluntários (doentes nas diferentes fases do estudo e indivíduos saudáveis), recolhidas em quatro momentos distintos ao longo do dia, avaliaram-se “as características dos relógios biológicos em células presentes no sangue, nomeadamente expressão de genes, e níveis de hormonas envolvidas na regulação dos relógios biológicos”, indica Ana Rita Álvaro.

Os resultados mostram que a apneia do sono “promove alterações nas características dos relógios biológicos e que o tratamento a longo prazo (dois anos) mostra ser mais efectivo no combate ao efeito da SAOS nos relógios biológicos, levando a um restabelecimento de algumas das suas características”, nota Ana Rita Álvaro.

Este estudo reforça o alerta para “a importância do tratamento da apneia do sono e evidencia ainda a necessidade de novas estratégias que melhorem e antecipem o diagnóstico da SAOS e também o seu tratamento. Nesse sentido, este estudo mostra que a análise dos relógios biológicos pode ter uma aplicação promissora no diagnóstico e monitorização da resposta ao tratamento desta patologia, e certamente de outras doenças”, refere Cláudia Cavadas, coautora do estudo e coordenadora do grupo de investigação no CNC.