Coimbra  31 de Maio de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

UC em estudo internacional sobre impacto da pandemia na exaustão parental

30 de Abril 2020 Jornal Campeão: UC em estudo internacional sobre impacto da pandemia na exaustão parental

Um consórcio internacional, que reúne cientistas de 40 países, incluindo Portugal, está a estudar o impacto da pandemia da covid-19 na satisfação e exaustão parental no mundo, anunciou hoje a Universidade de Coimbra (UC).

Esta investigação transcultural pretende “aumentar a compreensão dos factores que dificultam ou ajudam os pais e mães a lidar com o stresse resultante da necessidade de conciliarem múltiplas tarefas em situação de confinamento”, refere a UC.

As implicações da pandemia, “especificamente o confinamento a casa, o isolamento social, o encerramento das creches, jardins-de-infância e escolas, o teletrabalho, o ‘lay-off’ e os despedimentos vieram colocar novos desafios ao exercício da parentalidade e da coparentalidade”, afirma a investigadora Maria Filomena Gaspar.

Investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) e professora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da UC (FPCEUC), Maria Filomena Gaspar coordena o estudo em Portugal, em conjunto com Anne Maria Fontaine, professora emérita da Universidade do Porto.

Estes desafios, acrescenta a especialista em psicologia da educação da UC, “resultam das múltiplas tarefas que têm de conciliar (funções parentais habituais, apoio ao ensino escolar em casa, trabalho em casa, aumento das horas despendidas em tarefas domésticas), numa situação de confinamento que é nova e, para muitos pais, acompanhada de grandes desafios financeiros e da antecipação de dificuldades no futuro”.

A equipa de investigadores solicita, entretanto, a participação de pais e mães neste estudo, através do preenchimento do questionário disponível em https://inqueritos.ces.uc.pt/index.php/293452.

É feito um apelo especial aos pais para responderem, “pois habitualmente são as mães que mais participam neste tipo de investigação, o que gera uma lacuna na compreensão da satisfação e exaustão parental dos homens” (a única condição é ter pelo menos um filho(a) a viver em casa, qualquer que seja a idade).

“Há fatores que podem ajudar os pais e mães a lidar com o stresse resultante da necessidade de conciliarem múltiplas tarefas em situação de confinamento, enquanto outros podem dificultar”, sublinha, citada pela UC, Maria Filomena Gaspar.

“No primeiro grupo inclui-se a existência de um/a companheiro/a que partilha as tarefas e de momentos em que os pais/mães se autocuidam, por exemplo, enquanto no segundo grupo podemos considerar a existência de uma criança com problemas de comportamento ou hiperactividade ou uma mãe/pai muito auto-exigente consigo mesmos”, explica a investigadora.

Este é o segundo grande estudo conduzido pelo consórcio internacional que investiga o ‘burnout’ parental (IIBP: Internacional Investigation of Parental Burnout) e que é liderado por Isabelle Roskam e Moïra Mikolajczak, da Universidade de Louvain, na Bélgica, refere a UC.

O objectivo deste grupo de cientistas é estudar a validade conceptual, prevalência e variação intercultural do ‘burnout’ parental em todo o mundo.