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UC em estudo internacional para decifrar autenticidade de obra de Klimt

3 de Abril 2018

Um estudo internacional, em que participaram as universidades de Coimbra, de Hannover e Mainz (Alemanha), Valladolid (Espanha), e as de Shizuoka, Tsukuba, Yokohama e Tokushima (Japão), conseguiu atestar a autenticidade da obra “Trumpeting Putto”, um dos primeiros quadros do pintor austríaco Gustav Klimt.

A investigação decorreu durante cinco anos, já que se pensava que esta obra estaria perdida, “pondo fim a uma forte polémica em torno deste quadro”, revela a Universidade de Coimbra (UC).

“Das várias provas obtidas pelos cientistas durante as extensas e complexas análises, destaca-se a descoberta de duas assinaturas autênticas do autor do famoso quadro ‘O Beijo’, escondidas na frente e verso da obra”, salienta a UC, recordando que a discussão teve início em 2012, “quando o coleccionador Josef Renz adquiriu o quadro, que tinha sido encontrado numa garagem do Norte da Áustria”.

Nessa altura, peritos e historiadores de arte questionaram a autenticidade da obra, o que levou a “acesas discussões”, alimentadas pela opinião pública e pelos órgãos de comunicação social de todo o mundo. Como tal, foi solicitada a intervenção de cientistas para esclarecer a autenticidade de “Trumpeting Putto”, obra que fez parte do tecto do estúdio Klimt, em Viena, onde o pintor viveu com seu irmão Ernst entre 1883 e 1892.

Segundo a Universidade relata, “o quadro desapareceu quando um elevador foi instalado no edifício e julgava-se que tinha sido destruída”.

A investigadora Benilde Costa, do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), que integra a equipa multidisciplinar responsável por estudar a obra, aplicou a técnica de ‘Espectroscopia de Mössbauer’ no estudo do quadro, utilizando um espectrómetro portátil cedido pela NASA.

Esta técnica de investigação permitiu “identificar os pigmentos usados na pintura sem ser necessária a extracção de amostras da obra”, afirma a especialista.

O quadro, que foi completamente restaurado, vai ser apresentado ao público, amanhã (04), no Museu Sprengel Hannover (Kurt-Schwitters-Platz), na Alemanha.

“Por altura do centenário da morte de Gustav Klimt, os especialistas vão explicar todo o trabalho científico que permitiu esclarecer a autenticidade da obra que se pensava perdida”, adianta a UC, destacando que este trabalho é “uma grande pintura circular com um diâmetro de cerca de 1,70 metros”.

Agora decifrada a sua autenticidade, os estudos prosseguem, com a colaboração das polícias criminais alemã e austríaca, dado tratar-se de um quadro extremamente valioso.

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