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UC cria técnica para prevenir contrabando de materiais radioactivos

9 de Fevereiro 2017 Jornal Campeão: UC cria técnica para prevenir contrabando de materiais radioactivos

Fernando Amaro, Cristina Monteiro e Joaquim Santos, do Laboratório para a Instrumentação, Engenharia Biomédica e Física da Radiação (LibPhys), são os três investigadores da Universidade de Coimbra (UC) que desenvolveram uma nova técnica com potencial para prevenir o contrabando de materiais radioactivos.

Os cientistas da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC) estudaram esta nova técnica para detecção de neutrões térmicos que poderá ser útil para a prevenção do contrabando de materiais radioactivos.

Os detectores de neutrões térmicos “são equipamentos cruciais para prevenir o contrabando de armas nucleares e materiais radioactivos, sendo por isso rotineiramente utilizados em inúmeras fronteiras espalhadas pelo planeta”, explica o investigador Fernando Amaro, principal responsável pelo projecto de investigação, acrescentando que “até muito recentemente, quase todos os sistemas usavam um isótopo extremamente raro do conhecido gás Hélio, o Hélio-3”.

Já a forma mais abundante do gás Hélio (o Hélio-4) “é utilizado em aplicações tão variadas como a refrigeração de supercondutores em equipamentos de diagnóstico médico ou o enchimento de balões”, sublinha o cientista.

“As reservas de Hélio-3 são extremamente reduzidas e com a elevada procura por este material, após os ataques do 11 de Setembro, estas reduziram-se ainda mais, motivando vários programas de pesquisa por alternativas”, afirma Fernando Amaro.

De entre as alternativas, as mais viáveis utilizam materiais sólidos em vez de um gás (como o Hélio-3) para a detecção dos neutrões térmicos. Contudo, devido à natureza dos neutrões, a sua detecção em meios sólidos tem algumas limitações, nomeadamente eficiência de detecção limitada e resposta pouco eficaz dos sistemas na identificação de um neutrão térmico.

O trabalho, que será hoje publicado na revista internacional do grupo Nature, “Scientific Reports” (www.nature.com/articles/srep41699), a equipa da FCTUC, que contou com a colaboração de investigadores do Paul Scherrer Institute (PSI), apresenta uma nova tecnologia que substitui os átomos de Hélio-3 por nanopartículas de Boro (particularmente o isótopo Boro-10), um outro material capaz de detectar neutrões térmicos.

“Contudo, como o Boro não existe na forma de gás e apresenta limitações quando aplicado na forma sólida, os investigadores produziram um ‘gás artificial’, dispersando nanopartículas de Boro num gás comum, criando uma ‘mistura gasosa’ capaz de detectar neutrões térmicos”, adianta a UC.

A técnica apresenta vantagens relativamente às alternativas sólidas: “é uma ideia simples, mas inovadora e eficaz, com um grande potencial para revolucionar, no futuro, a detecção de neutrões”, conclui Fernando Amaro.