Coimbra  20 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

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UC com 5,6 milhões para libertar conhecimento científico aos cidadãos

15 de Julho 2019

Manuel Heitor, ministro da Ciência, com o reitor da UC, Amílcar Falcão, e o vice-reitor da UC, Delfim Leão

 

“Não queremos o conhecimento aprisionado (…) ter uma ciência livre e de acesso gratuito a todos é o nosso desígnio”. Foi desta forma que o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, resumiu o projecto internacional TRIPLE, liderado pela UC, que acaba de receber 5,6 milhões de euros da Comissão Europeia.

A UC é uma das instituições que lidera este projecto mundial, cujo principal objectivo é “o desenvolvimento e implementação de uma plataforma digital única, multidisciplinar e multilinguística para a partilha de resultados de publicações científicas”, explica a Universidade, adiantando que o projecto, também integrado no consórcio OPERAS terá início em Outubro deste ano e duração de três anos e meio, focando-se na área das humanidades e ciências sociais.

A iniciativa da Imprensa da UC com a plataforma ‘UC Digitalis’ foi a “porta de entrada” para o projecto TRIPLE, que envolve 18 instituições de 12 países europeus. A Universidade de Coimbra tem, agora, à sua responsabilidade “o desenvolvimento de instrumentos que potenciem o us do multilinguismo na comunicação da ciência, em particular através da utilização de ferramentas de descoberta multilingues – de forma a estimularem a manutenção de outras línguas nacionais (para além do inglês) como veículos de expressão de ciência e cultura)”, sublinha a Universidade.

“Este projecto não é um produto de uma pessoa, de uma instituição ou de um país, mas sim de um trabalho em rede e de grande colaboração”, reforçou o vice-reitor da UC para a Cultura e Ciência Aberta, Delfim Leão, na apresentação do projecto, hoje, na Biblioteca Joanina, e perante a exibição da 1.ª edição d´Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões.

Para o responsável, com esta plataforma “os cientistas tornam acessível à comunidade o produto do seu trabalho, estreitando as relações entre eles e a sociedade civil”, até porque, realçou, “a ciência aberta tem a ver com o envolvimento dos cidadãos, aqueles que procuram, que se interessam e, por isso, a disseminação do saber é muito importante”.

Conhecimento livre de todos e para todos

A ideia é que “tudo o que seja produzido por todos fique disponível para todos”, uma vez que “o trabalho já foi suportado por outras vias”, afirmou Delfim Leão, que mencionou os milhares de euros anuais que a UC despende em subscrições de revistas científicas.

Para o reitor Amílcar Falcão esta é “uma enorme conquista da Universidade de Coimbra”, que a “posiciona definitivamente na vanguarda da luta pela libertação do conhecimento científico e pelo acesso gratuito da sociedade aos resultados académicos das universidades”. Uma forma, considera o reitor de “unir cidadãos, instituições de ensino e Governo”, sendo uma “excelente oportunidade para eliminar barreiras injustas”.

“O sistema da indústria de publicações de conhecimento académico está assente num modelo extremamente lucrativo, mas perverso”, criticou Falcão, referindo que os investigadores têm de pagar para publicar o artigo na maior parte das situações e, caso queiram ter acesso à revista, têm de pagar novamente. Pelo que as “instituições como a UC não podem ser meros espectadores perante o aumento incontrolável dos custos exigidos por monopólios de editoras científicas”. Assim, “a publicação em jornais de acesso aberto tem de ser valorizada”, defendeu.

A sessão de apresentação do projecto contou, também, com a presença de Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que sublinhou a importância do momento, numa época em que “há um conjunto de desafios – europeus e mundiais – associados a interesses económicos”, daí ser muito relevante “impor uma estratégia de ciência aberta”.

“A UC assumir este projecto com valorização e dignidade é muito importante”, notou o governante, reforçando que se deve “considerar o conhecimento como um bem público”, sendo este o primeiro passo de um “processo complexo”, face a uma crescente “privatização do conhecimento”.

A plataforma, que deverá entrar em funcionamento em 2022, vai permitir também o contacto directo de cidadãos, empresas e decisores políticos com os investigadores, além de poder lançar campanhas de ‘crowdfunding’.

Terá, assim, “um papel relevante para a construção de uma “Sociedade Digital Europeia”, alicerçada no conceito de ‘Ciência Aberta’ – disponibilização em acesso aberto de dados e publicações, permitindo a partilha do conhecimento entre a comunidade científica, a sociedade e as empresas)”, conclui a UC.

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