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UC: Cientistas desenvolvem sistema inovador de cogerações de energia

23 de Outubro 2019

Uma equipa de cientistas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu um sistema tecnológico inovador de cogerações de energia a partir de biomassa.

Criado em parceria com a indústria, este sistema destina-se a clientes com grandes consumos de energia térmica e eléctrica, nos sectores dos serviços, pequena e média indústria e agropecuário.

A cogeração de energia “consiste na produção simultânea de duas formas de energia – neste caso, térmica e eléctrica – queimando um único combustível fóssil ou não, e caracteriza-se por ser uma forma mais económica, eficiente e sustentável do que os métodos tradicionais de geração independente”.

A tecnologia desenvolvida pelos cientistas da FCTUC materializa-se num equipamento modular acoplado a uma caldeira para produção de água quente, preferencial, mas não necessariamente alimentada a biomassa.

O novo sistema converte-se assim numa mini-central de produção de energia eléctrica local, mais eficiente e sustentável em comparação com as grandes centrais, sempre que o seu utilizador necessitar de energia térmica.

José Baranda Ribeiro, Jorge André e Ricardo Mendes, do Departamento de Engenharia Mecânica da FCTUC, e Eduardo Costa, da empresa SCIVEN, são os coordenadores do projecto e explicam que desenvolveram “a partir de uma caldeira a biomassa um conjunto de tecnologia capaz de produzir energia eléctrica para auto-consumo enquanto se aquece água ou espaços”. “Optámos por integrar no sistema piloto uma caldeira a biomassa, neste caso pellets, porque estes são fonte de energia renovável, limpa, fiável e de qualidade certificada, para além de economicamente muito competitiva”, acrescentam.

Actualmente, as caldeiras mais usadas em hotéis, IPSS, edifícios públicos, entre outros, são caldeiras a gás ou a gasóleo, combustíveis mais caros que os pellets.

Assim, a sua substituição por este sistema integrado “será altamente vantajosa para indústrias e serviços que necessitem simultaneamente de calor e electricidade, quer do ponto de vista económico quer ambiental. É uma solução que permite reduzir significativamente os custos de energia. Está, também, alinhada com as metas de descarbonização dos processos e da economia, com um potencial de redução das emissões de CO2 na ordem das centenas de toneladas por ano. Trata-se, pois, de uma solução particularmente adequada a instalações de pequena e média dimensão com elevados níveis de consumo de energia térmica”, afirmam os promotores.

Este sistema tecnológico foi desenvolvido no âmbito de um projecto financiado pelo programa PT2020 e por fundos nacionais através da Agência Nacional de Inovação. O consórcio vai continuar o desenvolvimento da tecnologia com vista a alargar o seu mercado.

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