Coimbra  20 de Setembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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UC: Centro de Ecologia de portas abertas para assinalar o Dia da Abelha

20 de Maio 2019

A efeméride mundial que pretende chamar a atenção para a importância das abelhas é assinalado, hoje, no Centro de Ecologia Funcional (CEF) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), que vai estar de portas abertas, hoje de manhã.

O Dia Mundial da Abelha será, assim, celebrado com várias actividades, dinamizadas por investigadores do CEF, e dirigidas a toda a comunidade académica e ao público em geral.

Durante a manhã, os visitantes poderão participar em actividades como “colmeias de observação, colecções de polinizadores e observação de diferentes tipos de pólen e mel”.

As iniciativas, organizadas pelo CEF e pela Cátedra UNESCO em Biodiversidade e Conservação para o Desenvolvimento Sustentável da UC, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Entomologia, decorrerão na entrada do edifício de São Bento, do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC, entre as 10h00 e as 12h30.

Os responsáveis pelo evento afirmam que é “fundamental alertar para a importância dos serviços de polinização prestados pelas abelhas. Cerca de 87 por cento das plantas com flor dependem da polinização, e 77 por cento do fornecimento de alimento a nível mundial está dependente deste serviço”.

O Dia Mundial da Abelha foi proclamado pela ONU para assinalar a importância da polinização para o desenvolvimento sustentável.

E para se perceber as consequências de um mundo sem abelhas pode assistir-se a este vídeo explicativo: https://www.youtube.com/watch?v=4NmIDq81aRE.

Detecção de células cancerígenas em debate no CEF

O mesmo espaço – edifício de São Bento, da FCTUC, acolhe, na próxima sexta-feira (24), pelas 11h00, o cientista Paulo Rocha, da Universidade de Bath, no Reino Unido, para dinamizar a palestra “Ultra-low noise system to detect electroactive glioma cells and beyond”, que irá focar-se na apresentação de um sistema muito sensível para detecção de células cancerígenas, um trabalho desenvolvido pela equipa de Paulo Rocha.

Segundo o cientista, “os avanços na medicina dependem, cada vez mais, da percepção de sinais eléctricos entre os nervos e/ou órgãos. As células electrogénicas são, normalmente, monitorizadas através de matrizes de microeléctrodos (MEAs), que consistem em eléctrodos planares num substracto em contacto próximo com células em cultura”, pelo que “a principal aplicação das MEAs é a detecção de potenciais de acção em neurónios”.

“A resposta neuronal é tipicamente registada no regime de KHz. Como consequência, os eventos de baixa frequência são filtrados e a sua detecção é inibida”, adianta Paulo Rocha.

“As células gliais, assim como as suas contra-partes transformadas, as células do glioma, não exibem potenciais de acção. Em vez disso, o seu potencial de membrana, exibe oscilações minutas e de baixa frequência. Para medir essa actividade eléctrica – que é extremamente pequena – criámos um método de detecção sensível baseado em eléctrodos de baixa impedância”, sublinha, acrescentando que “o transdutor é colocado dentro de uma incubadora e toda a instrumentação fica protegida por uma gaiola de Faraday. O nível de ruído de fundo diminuiu para valores inferiores a 1 μV”.

Com este método, acrescenta, “pela primeira vez, pudemos detectar as oscilações de corrente capacitivas de membrana de baixa frequência em grandes populações de células cancerígenas, por exemplo, glioma C6. Foram usados inibidores farmacológicos específicos e demonstrámos que a actividade das células do glioma é causada, principalmente, pela abertura dos canais de iões de Na+ e K+”.

O sistema desenvolvido pela equipa de Paulo Rocha oferece uma abordagem única para estudar as propriedades electrofisiológicas de populações de células, como uma referência ‘in vitro’ para os tumores ‘in vivo’.

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