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UC: Cardiologia de intervenção poderá beneficiar de modelo matemático

23 de Janeiro 2017

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra, em colaboração com o Serviço de Cardiologia do CHUC (Pólo dos Covões), acaba de desenvolver um modelo matemático que poderá ter impacto na cardiologia de intervenção.

O modelo desenvolvido por investigadores do Departamento de Matemática da UC simula a libertação de fármaco a partir dos stents de última geração, os denominados drug-eluting stents (stents de libertação de fármacos).

Os drug-eluting stents, também conhecidos como stents farmacológicos, são dispositivos médicos utilizados na desobstrução de artérias. O que os distingue dos stents convencionais é o facto de a estrutura metálica ser revestida por um material polimérico, em que é disperso um fármaco antiproliferativo, posteriormente libertado, evitando, ou pelo menos limitando, a posterior ocorrência de reestenose (reoclusão) no vaso intervencionado.

O modelo desenvolvido pela equipa do Centro de Matemática da UC, constituída pelos investigadores José Augusto Ferreira, Maria Paula Oliveira e Jahed Naghipoor, em colaboração com Lino Gonçalves, director do Serviço da Cardiologia do CHUC, pode assumir um papel preponderante.

As informações fornecidas pelo modelo podem constituir uma importante ferramenta de apoio à decisão clínica, possibilitando a definição de estratégias terapêuticas para prevenir o aparecimento da reestenose.

Este trabalho, publicado na revista científica Mathematical Biosciences, foi desenvolvido ao longo de quatro anos. A modelação matemática do acoplamento “in vivo”, de um stent e de um vaso sanguíneo, revelou-se uma tarefa de elevada complexidade porque o processo depende de múltiplos fenómenos interdependentes como as características da degradação do revestimento polimérico do stent, a cinética do fármaco na matriz polimérica, a sua difusão na parede do vaso sanguíneo e a influência das propriedades fisiológicas da parede do vaso.

O sucesso do trabalho que desenvolvemos deve-se à estreita colaboração e ao constante diálogo interdisciplinar entre os matemáticos da equipa e o cardiologista Lino Gonçalves”, assinala José Augusto Ferreira.

Os investigadores pretendem, agora, completar o modelo, através da criação de um novo algoritmo, que tenha também em atenção a proliferação celular ocorrida durante a reestenose.

Seguir-se-á a validação do modelo, que se baseará na casuística do Serviço de Cardiologia; concluída esta fase, a equipa disponibilizará uma plataforma computacional a ser utilizada em ambiente hospitalar”, explica o investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

 

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