Coimbra  20 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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UC aposta na folha de mirtilo para tratar a esclerose múltipla

27 de Novembro 2018

O concurso INOV C 2020, suportado com fundos do FEDER, premiou com uma bolsa uma investigação da UC que aposta no potencial terapêutico da folha de mirtilo para o tratamento da esclerose mútipla.

Sendo a folha de mirtilo um subproduto agrícola regional actualmente desperdiçado, a ideia é utilizá-lo para a “criação de produtos nutracêuticos com propriedades neuroprotetoras e neuroregeneradoras para uso terapêutico na esclerose múltipla e em doenças do foro neurológico e psiquiátrico”. Nesse sentido, a equipa de investigação encontra-se a desenvolver “uma nova tecnologia de obtenção de compostos fenólicos (CF) capazes de actuar no sistema nervoso central, que estão presentes em elevado teor nas folhas de mirtilo”, revela a UC.

A esclerose múltipla é uma doença neurodegenerativa “para a qual as actuais estratégias terapêuticas se têm revelado insuficientes, limitando-se a controlar os sintomas e/ou retardar a evolução”, sendo que, em Portugal, existem cerca de 60 casos por cada 100 00 habitantes e uma incidência crescente, acompanhando a tendência mundial, o que torna importante a procura de novas soluções.

“Utilizando as propriedades terapêuticas da folha de mirtilo, estaremos paralelamente a tirar partido dos recursos endógenos e a acrescentar valor a um subproduto actualmente desperdiçado”, explicam Sofia Viana e Flávio Reis, investigadores responsáveis pelo projecto.

Com experiência nas áreas de farmacologia, neurologia e fitoquímica, o projecto conta com uma equipa de investigação multidisciplinar da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, em colaboração com a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto, e o patrocínio da Cooperativa Agropecuária dos Agricultores de Mangualde CRL (COAPE), um parceiro essencial para valorizar a folha de mirtilo enquanto subproduto agrícola.

Este foi uma das 15 investigações científicas e com aplicabilidade comercial, premiadas com ‘Bolsas de Ignição’ do programa INOV C 2020, representando um investimento total de 150 000 euros, distribuídos por 8 500 por cada projecto.

O INOV C pretende “alavancar ideias de empreendedorismo e inovação na região Centro”, apoiando projectos inovadores e “consolidando a região enquanto referência nacional na criação de produtos e serviços resultantes de actividades de Investigação & Desenvolvimento”. Trata-se de um consórcio liderado pela Universidade de Coimbra e do qual fazem parte outras 10 instituições nucleares: o Instituto Politécnico de Coimbra, o Instituto Politécnico de Leiria, o Instituto Politécnico de Tomar, o Instituto Pedro Nunes, o ITeCons, o SerQ, a ABAP, a Obitec e o TagusValley.

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