Coimbra  16 de Julho de 2019 | Director: Lino Vinhal

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UC: Agressor de professora punido com prisão efectiva

8 de Março 2018

Um ex-doutorando da Universidade de Coimbra, julgado por tentativa de homicídio simples na pessoa de uma professora, foi condenado, hoje, a prisão efectiva, mas o Tribunal ordenou o internamento do arguido.

A pena, semelhante a uma medida de segurança, que seria aplicável se Colin Gloster fosse inimputável, deverá ser cumprida em estabelecimento hospitalar psiquiátrico. Contudo, a medida é passível de interposição de recurso para o Tribunal da Relação.

Até que o presente acórdão de primeira instância se torne definitivo – ou outro, igualmente condenatório, que eventualmente venha a ser proferido –, a medida de coacção imposta ao arguido sofre agravamento para prisão preventiva, a cumprir, também, em unidade do foro psiquiátrico.

Tal medida, que precede a punição, foi agravada mediante requerimento de Afonso Pedrosa, da sociedade de advogados Coimbra Castanheira, representante da Universidade de Coimbra, que se constituiu assistente.

O agravamento prende-se com a divulgação de uma mensagem, tida como intimidatória, feita por Colin Gloster antes da leitura do acórdão.

Para um colectivo de juízes presidido pela magistrada judicial Ana Vicente, Colin Gloster, irlandês, também acusado de gravação ilícita por ter registado o áudio de um interrogatório na PJ, possui limitada capacidade de autocontrolo.

O Tribunal condenou o indivíduo a indemnizar a vítima, Filomena Pinto dos Santos Figueiredo, no montante de 50 000 euros, por “danos significativos”, infligidos à machadada, em 2014. Por outro lado, os juízes concluíram pela inadmissibilidade de pedido de indemnização dirigido à UC.

Em audiência de julgamento, Filomena Figueiredo, professora auxiliar do Departamento de Física da UC, disse ter fugido, enquanto pôde, “até ficar ‘encurralada’”.

“A primeira machadada não me causou danos, mas, a partir daí, de mais nada me lembro, excepto que sentia dores horríveis”, afirmou a ofendida.

A docente contou, durante a audiência do julgamento de Colin Gloster, sentir “pavor, hoje em dia”, quando tem de andar à noite pelas ruas.

Mediante requerimento do advogado António Novais Teixeira, que representa a vítima, o depoimento dela foi prestado com o arguido fora da sala de audiências.

Colin Gloster indicou não haver tido intenção de matar e lamentou que o processo não o contemple como ofendido.

O irlandês justificou o crime alegando que Filomena Figueiredo ignorava as pretensões do arguido, cujo ponto de vista é o de que estava a ser prejudicado.

Ao reconhecer a pretensão de decepar um braço da ofendida, o indivíduo acusou-a de ser “desrespeitosa, agressiva e desonesta”.

Gloster disse ter agido, “em desespero”, sem possuir meios de subsistência.

As agressões ocorreram após o indivíduo ter perdido uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O antigo investigador, que se encontrava na UC desde o ano lectivo de 2009 -10, chegara a estar internado.

Por ocasião da estadia em Coimbra, o ex-doutorando viu-se confrontado com várias dificuldades para garantir a bolsa de doutoramento, face a um erro de conversão da sua nota.

Na sequência de conflitos com colegas e docentes, Colin Gloster viu expirar em 2014 a bolsa de investigação que lhe tinha sido atribuída em 2012.

A 04 de Agosto de 2014, o indivíduo deslocou-se à unidade de atendimento académico, onde lhe foi dada indicação que havia mais de 5 000 euros de propinas em dívida e transmitida a renúncia à orientação do seu doutoramento por parte de Rui Curado da Silva.

Dois investigadores conseguiram imobilizar o arguido, até à chegada da PSP, que deteve o doutorando.

 

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