Coimbra  16 de Julho de 2019 | Director: Lino Vinhal

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UC: Agressor de docente à machadada chega ao banco dos réus

16 de Janeiro 2018

Um ex-doutorando da Universidade de Coimbra, irlandês, que agrediu uma docente, à machadada, começa a ser julgado quando estão volvidos três anos e meio sobre a tentativa de homicídio.
A audiência do julgamento de Colin Gloster tem início a 18 de Janeiro [de 2018] e os factos remontam ao princípio de Agosto de 2014, quando o arguido entrou no Departamento de Física da Universidade de Coimbra e infligiu golpes de machada à professora Filomena Pinto dos Santos Figueiredo.
Segundo a Agência Lusa, o ex-doutorando do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas da UC é acusado, pelo Ministério Público (MP), de homicídio qualificado na forma tentada.
As agressões ocorreram após o arguido ter perdido bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).
Devido a demora na dedução de acusação, volvidos perto de dois anos sobre os factos, uma juíza do Tribunal de Instrução Criminal de Coimbra teve de cancelar as medidas de coacção que haviam sido impostas a Colin Gloster em Agosto de 2014.
O antigo investigador, que se encontrava na UC desde o ano lectivo de 2009 -10, sofria de autismo e chegara a estar internado.
Por ocasião da estadia em Coimbra, o ex-doutorando viu-se confrontado com várias dificuldades para garantir a bolsa de doutoramento, face a um erro de conversão da sua nota.
O antigo investigador terá alojado nos servidores do referido laboratório “conteúdos falsos e caluniosos” e haverá desligado de forma danosa os servidores da rede GIAN [Grupo de Instrumentação Atómica e Nuclear].
Na sequência de conflitos com colegas e docentes, Colin Gloster viu expirar em 2014 a bolsa de investigação que lhe tinha sido atribuída em 2012.
A 04 de Agosto de 2014, o indivíduo deslocou-se à unidade de atendimento académico, onde lhe foi dada indicação que havia mais de 5 000 euros de propinas em dívida e transmitida a renúncia à orientação do seu doutoramento.
Segundo a peça acusatória, o arguido retirou uma machada do interior das calças, empunhando-a à frente de uma funcionária, e deslocou-se para o Departamento de Física da UC.
Ao deparar com a docente Filomena Figueiredo, Colin Gloster terá elevado o tom de voz, abordando a questão relacionada com o seu doutoramento e aludindo a necessidade de receber o dinheiro de que se proclamava credor.
Assim que a ofendida tentou fechar a porta, o arguido colocou um pé na base da mesma, empurrou-a e, ao entrar na sala, retirou a machada e começou “a desferir golpes dirigidos ao peito” de Filomena Figueiredo, que, para evitar ser atingida no tórax, colocou os braços e mãos à frente, indica o MP.
Dois investigadores conseguiram imobilizar o arguido, até à chegada da PSP, que deteve o doutorando.
Colin Gloster é ainda acusado de gravação ilícita por ter registado o áudio de um interrogatório na PJ, com recurso a um ‘tablet’, sem informar uma inspectora.
No âmbito do processo, a vítima das agressões reclama uma indemnização de 100 000 euros, não apenas ao arguido, mas também à UC, a quem ela imputa permissividade.

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