Coimbra  22 de Setembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

UC acolhe encontro de investigadores para impulsionar técnica de Raman

1 de Outubro 2018

Daniel Martín, Daniela Guedes, Luís Batista de Carvalho, Maria Paula Marques, Adriana Mamede, Joana Marques, Ana Batista de Carvalho

 

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) vai receber, de 07 a 12 de Outubro, a reunião final da Raman4Clinics, com o objectivo de impulsionar a utilização da técnica de Raman na prática clínica.

“Apesar de se apresentar muito vantajosa para o diagnóstico precoce de múltiplas patologias, incluindo o cancro, talvez por desconhecimento, a técnica de espectroscopia Raman ainda é muito

pouco aplicada na clínica”, avança a Universidade de Coimbra, adiantando que “na Europa, apenas alguns hospitais da Holanda, Alemanha e Reino Unido a utilizam”.

A rede de colaboração Raman4Clinics, criada com o objectivo de introduzir esta técnica na prática clínica, é composta por mais de 150 investigadores europeus e está integrada nas “Acções COST – Cooperação Europeia em Ciência e Tecnologia”. Os seus membros vão, agora, reunir-se na FCTUC, instituição que é membro da rede e que juntará uma equipa de investigadores da Unidade de I&D “Química- Física Molecular”, liderada por Luís Batista de Carvalho e Maria Paula Marques.

Nesta reunião científica, os vários grupos de trabalho da “Acção” vão “apresentar e discutir os avanços obtidos nos últimos três anos, bem como o impacto da aplicação da técnica junto dos utilizadores finais – médicos e pacientes, em meio hospitalar”, revela a UC.

Ainda neste âmbito, irá decorrer uma “Summer School”, que terá como foco principal investigadores em início de carreira.

Desta forma, jovens investigadores, designadamente estudantes de mestrado e de doutoramento, “irão ter oportunidade de aprender com os especialistas internacionais mais reputados da área da espectroscopia de Raman aplicada à Química Medicinal e Diagnóstico”, bem como assistir a palestras e participar em sessões práticas “hands-on”.

A espectroscopia de Raman, identificada com o nome do cientista que a descobriu, o indiano Chandrasekhara Venkata Raman, Prémio Nobel da Física em 1930, é uma técnica óptica de alta resolução que através da incidência de radiação (luz) sobre uma qualquer amostra consegue

obter informação química em poucos segundos. Ou seja, fornece informação acerca dos compostos presentes na amostra analisada.

Segundo Luís Batista de Carvalho e Maria Paula Marques, “é uma técnica não invasiva, muito útil e vantajosa para a clínica, especialmente para o diagnóstico precoce de múltiplas patologias, nomeadamente doenças infecciosas, vários tipos de cancro de baixo prognóstico e bactérias hospitalares resistentes a antibióticos. Trata-se de uma técnica muito rigorosa que fornece informação imediata. Os doentes não têm assim que aguardar dias ou semanas pelos resultados de biópsias”.

É, igualmente, uma ferramenta “muito versátil e vantajosa do ponto de vista económico”, garantem os especialistas. Além disso, esta técnico pode “ser muito útil em cirurgias extremamente delicadas, como, por exemplo, uma cirurgia para remover um tumor no cérebro, e que é imprescindível ter informação em tempo real que guie o neurocirurgião, indicando-lhe exactamente o que é tecido doente e deve ser totalmente removido, e o que é tecido são e deve ser poupado”, exemplificam.

Quanto às razões que levam a clínica a não adoptar esta técnica, os especialistas avançam com o “desconhecimento”, explicando que “é preciso quebrar barreiras e explicar aos clínicos que a espectroscopia de Raman evoluiu muito nos últimos anos. Por exemplo, existem actualmente aparelhos de Raman portáteis, muito versáteis para utilizar em ambiente hospitalar e no teatro operatório, e as imagens obtidas são de fácil interpretação”.

Nesse sentido, a equipa de Luís Batista de Carvalho e Maria Paula Marques tem já em curso um projecto de investigação pioneiro em Portugal, em parceria com o IPO de Coimbra, intitulado “Vibs on Cancer” e que é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pelo FEDER.

O projecto visa “a aplicação da espectroscopia de Raman em diagnóstico médico, especificamente na detecção precoce de tipos de cancro de baixo prognóstico”, adiantam.

Ainda com vista à divulgação da técnica de Raman, os responsáveis pela organização da Reunião Final da Acção Raman4Clinics promovem uma palestra, no domingo (07), pelas 18h00, no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, proferida pelo professor Peter Gardner, da Universidade de Manchester, responsável pela translação da spectroscopia de Raman para a clínica na detecção de cancro de próstata. A sessão será aberta a toda a comunidade.

 

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com