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Turismo religioso e espiritual ganha terreno em Portugal

30 de Março 2024 Jornal Campeão: Turismo religioso e espiritual ganha terreno em Portugal

Mais do que uma tendência, o turismo religioso assumiu-se, nos últimos anos, como um dos principais motivos para viajar. Sendo um segmento de massas, o Santuário de Fátima é o expoente máximo nacional desta vertente turística, mas Portugal tem muitas outras razões para descobrir a religiosidade dos lugares, através da história e do património. A região Centro, em particular, tem um potencial imenso, dispondo de templos (capelas, catedrais, conventos, mosteiros, museus e judiarias) nas sub-regiões de Aveiro, de Viseu Dão Lafões, Coimbra, Beiras e Serra da Estrela, Leiria, Médio Tejo, Oeste e Beira Baixa. A isso juntam-se inúmeros cultos e festas religiosas, e que fazem cada vez mais do património histórico-religioso do Centro um ponto de interesse de massas (turismo religioso) ou apenas de busca pela espiritualidade (turismo espiritual).

Mas como tem evoluído este segmento em Portugal? O Padre Miguel Lopes-Neto, director da Pastoral do Turismo-Portugal (PTP), afirma ao “Campeão das Províncias” que “há uma maior sensibilização para com o turismo religioso por parte de todos os agentes turísticos”.

“Em 2012, com a criação da PTP, na Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), aproximámos a Igreja Católica em Portugal da maior indústria e fonte de empregabilidade no País”, diz, lembrando que também as entidades públicas estatais, quer a nível nacional quer local, começaram a olhar para o turismo religioso, “não só como um produto turístico puro e duro, mas como algo que pode fazer a diferença junto de quem escolhe o nosso País para descansar, um factor diferenciador e identitário, que nos pode permitir ser mais competitivos neste mercado de produtos”.

Neste sentido, a estratégia da PTP divide-se em duas grandes áreas de actuação: “primeiro, é necessário potenciar nas dioceses portuguesas a criação de um organismo local eclesial, de apoio e promoção do turismo”.

“Ou seja, temos de sensibilizar cada diocese portuguesa a criar o seu sector diocesano de pastoral do turismo, para que cada igreja local tenha um olhar sobre a realidade do turismo na sua zona geográfica. Em segundo lugar, a PTP, como organismo da CEP para a realidade do turismo, tem de estabelecer relação com todas as entidades governamentais e associações do sector turístico, mostrando que a Igreja Católica quer estabelecer pontes com todo o sector do turismo, desde a governança à academia”, acrescenta.

Miguel Lopes-Neto conta que, ao longo destes anos, apercebeu-se que o mais importante de tudo é que “as diversas entidades vejam em nós um interlocutor, que os ajude a relacionarem-se com a Igreja Católica local e as diversas entidades católicas.

“A Igreja, por defeito, tem uma linguagem e um organigrama muito fechado e próprio, tal como acontece noutros sectores da sociedade (como, por exemplo, a estrutura militar). Isso faz com que, tendencialmente, haja um desconhecimento sobre a estrutura da Igreja Católica. A nossa missão é de estabelecer pontes e abrir canais de comunicação, aproximar todos de objetivos comuns”, declara.

“Potencial de crescimento”

Para o director da PTP, “há cada vez mais interesse pelo turismo cultural e pelo turismo espiritual e, obviamente, o turismo religioso entronca nestas duas realidades”.

O responsável da PTP frisa que, “cada vez mais, o turista não quer simplesmente descansar, mas também quer enriquecer-se com o que é próprio de cada lugar que visita. Fazendo-o, pode estar a viver a sua espiritualidade/religiosidade e, simultaneamente, beneficiando de experiências de alto valor cultural”.

Neste sentido, adianta que a PTP está a trabalhar com todo o Estado para que haja cada vez mais sintonia e respostas públicas para este sector: desde o Turismo de Portugal, passando pelas CCDR (Comissão de Desenvolvimento Regional) e acabando no Governo, “todos estão na nossa esfera de contactos e conhecem as nossas preocupações”.

Para o futuro, não tem dúvidas: “temos um potencial de crescimento muito grande e ainda temos muito para dar e mostrar. O turismo religioso, entre outras coisas, pode ser a entrada para muitos, que pode se querem aproximar do Cristianismo. Não esquecemos que, não tendo uma missão proselitista, temos no turismo uma possibilidade de primeiro anúncio do Evangelho e estaremos sempre atentos a isso e às possibilidades de estabelecer sinergias e parcerias, para melhor ajudar quem trabalha neste sector”.

ANA CLARA e JOÃO PAULINO (Jornalistas do “Campeão” em Lisboa)

Texto publicado na edição em papel do Campeão das Províncias de 28 de Março de 2024