Coimbra  21 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Traduções médicas – área delicada dentro do ramo da tradução

14 de Junho 2019

Mas podem ser feitas boas traduções, tomando certas precauções.

O médico que comete um erro na sua prática clínica pode estar a colocar em perigo a vida de alguém; da mesma forma, um erro de interpretação na tradução também pode ser fatal.

Na área de Medicina são muito comuns as traduções de artigos de revistas, de textos científicos, de dispositivos e instrumentos médicos, de técnicas de cirurgia, etc. Em todas estas traduções é grande a responsabilidade do tradutor: um erro mínimo cometido pelo tradutor na tradução/interpretação do texto pode resultar num erro gravíssimo por parte do médico.

Por essa razão, é muito importante recorrer-se a bons serviços de traduções médicas.

No mundo da medicina, a tradução de qualidade não é uma questão de luxo. Pode ser algo crítico! A Medicina é universal, mas as línguas não o são. Sem um entendimento completo das expressões, terminologia e conceitos médicos envolvidos, é impossível construir traduções correctas e exactas que transmitam o significado universal do texto médico original.

A qualidade do documento de origem também pode afectar bastante a tradução final. Se o texto a traduzir for confuso ou tiver partes mal escritas e se o tradutor não conseguir esclarecer as suas dúvidas ou não refrasear o que não está claro, o documento final reflectirá as deficiências do texto original. A tradução deve ser de qualidade, para mais informações, serviços de traduções em Lisboa.

A tradução de textos considerados ”técnicos” representa um dos maiores segmentos dentro do mercado de tradução, gerando discussões quanto à conceptualização dessa modalidade textual.

A tendência actual é para se considerar “texto técnico” não só manuais de instrução, artigos científicos e bulas de medicamentos, por exemplo, como também os textos literários, jornalísticos e até as carta de amor. Com isso perde-se a dicotomia existente entre textos literários e técnicos e, como consequência, a categorização atribuída aos tradutores desses textos.

No entanto, é reconhecido que os textos técnicos não permitem muitas variações estilísticas, o que não lhe diminui o valor, visto que eles actuam directamente no processo de disseminação de dados e de experiências tecnológicas e científicas. O seu terreno não é difícil só porque é técnico, pois o uso da terminologia permite uma redução da instabilidade ou redução da ambiguidade.

Se traduzir é passar um texto de uma língua a outra, não se pode, por outro lado, esquecer que a língua é parte integrante da cultura, ou seja, os textos técnicos também estão expostos a variantes culturais de estilo.

O domínio destes aspectos deve fazer parte do processo de tradução e da bagagem do tradutor. Isso representa um trabalho extra para o tradutor e, por essa razão, a tradução de carácter técnico é sempre mais cara e trabalhosa do que todas as outras.

Entretanto, a língua internacional para a medicina continua a ser o inglês. Entre as causas mais comuns dos erros encontram-se sobretudo os sinónimos, as abreviaturas e os neologismos. A linguagem médica está marcada por uma crescente multiplicidade de denominações.

Além dos inúmeros sinónimos, existem ainda termos antigos e novos. Nem todos os sinónimos podem ser usados da mesma forma e no mesmo contexto; para além disso, duas palavras sinónimas podem possuir cada uma delas a sua abreviatura, tendo ambas o mesmo sentido. Segundo os linguistas, as abreviaturas estão a aumentar sobretudo na linguagem médica. O problema coloca-se quando existem várias abreviaturas para um mesmo termo. Muitas vezes as abreviaturas também são retrovertidas incorrectamente para o termo original. Isso também vale para neologismos, que são cada vez mais frequentes e não estão bem documentados em dicionários e glossários.

Também podem ocorrer erros graves em textos relativos ao funcionamento dos equipamentos médicos e nas bulas dos medicamentos. Neste caso, recomendações erradas ou ambíguas num manual de instruções podem resultar em danos nos aparelhos e, no caso das bulas de medicamentos, os doentes podem ser induzidos em erros com consequências graves para a sua saúde.

Os serviços de tradução médica são sempre importantes e, nalguns deles, a própria data de entrega pode ser uma questão de vida ou morte. É o que acontece, por exemplo, com relatórios de exames médicos que os doentes muitas vezes necessitam que sejam traduzidos com urgência para poderem ser vistos por médicos que vão consultar no estrangeiro. Nestes casos, também a precisão da tradução é uma questão vital.

As abreviaturas são um problema muito comum e peculiar da tradução médica. Em muitos casos, há mais do que uma forma de abreviar um mesmo termo, e às vezes a mesma abreviatura é usada para termos diferentes.

Uma pesquisa sobre erros médicos nos EUA constatou que entre 1 500 e 30 000 erros tinham sido provocados por problemas em abreviaturas. Neologismos e sinónimos – uma peculiaridade da linguagem médica é o surgimento constante de neologismos (palavras ou expressões recém-criadas), a presença de sinónimos e a constante mistura de termos obsoletos e nova terminologia.

Esta alternância dificulta a actualização e a referenciação correcta em dicionários e glossários especializados, provocando problemas de tradução.

O facto de o tradutor ter pouca formação e experiência na tradução médica acontece com muita frequência na nossa área. Na verdade, a causa mais comum dos erros de tradução na área médica é a mesma da tradução jurídica e de marketing: um tradutor com pouca formação.

Muitos dizem que a tradução médica deve ser feita por um profissional de saúde: um falso benefício. Podemos ser tentados a confiar uma tradução médica a um médico e isso resultar num texto mal escrito.

Na realidade, os estudos realizados até agora mostraram que é melhor optar por um tradutor que tem formação especializada na área médica. Pelo que podemos concluir, a tradução é uma profissão que exige certas competências.

Num blogue de medicina é referido o caso de 47 próteses do joelho mal colocadas num hospital de Berlin. A causa do problema? Um manual de instruções mal traduzido. O texto original em inglês apresentava a prótese como sendo: “non-modular cemented”. Essa frase foi traduzida como “essa prótese não necessita de cimento”.

As próteses foram implantadas sem cimento, com consequências horríveis para os doentes implantados.

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