Coimbra  19 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Trabalhadores dos Transportes de Coimbra exigem reposição de carreira

20 de Junho 2019

Cerca de uma dezena de trabalhadores dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) manifestaram-se, hoje, pela reposição da carreira de agente único dos motoristas e melhores condições de trabalho.

Os trabalhadores tentaram interpelar o ministro do Ambiente e Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, no final de uma cerimónia de apresentação de 10 novos autocarros eléctricos dos SMTUC, exigindo a reposição da carreira.

“Acham justo que uma pessoa que conduz esta viatura que transporta vidas ganhe 635 euros [salário mínimo nacional]?”, questionava Sancho Antunes, da Comissão de Trabalhadores dos SMTUC.

Já antes da cerimónia arrancar, os trabalhadores, que erguiam duas tarjas a exigir a reposição da carreira, foram impedidos pela polícia de se aproximarem do local.

Em declarações aos jornalistas, Sancho Antunes recordou que esta é uma luta antiga dos trabalhadores dos SMTUC, face à desigualdade perante os motoristas da Carris (Lisboa) e STCP (Porto), que recebem mais de 800 euros no início de carreira.

“Aqui, começa-se com 635 euros e andam 10 anos para ganhar mais 20 euros, se correr bem a avaliação”, salientou.

Segundo Sancho Antunes “não há investimento na parte humana” dos SMTUC, contabilizando mais de 40 motoristas que ganham o ordenado mínimo, “quando uma carta de condução custa perto de 5 000 euros”.

“O presidente da Câmara de Coimbra [Manuel Machado] prometeu ajudar-nos e até hoje fez zero”, criticou o membro da Comissão de Trabalhadores, referindo que os motoristas sentem-se abandonados não apenas pela autarquia, mas também pelos sindicatos e por todos os partidos políticos.

Para além da reposição da carreira de motorista, os trabalhadores exigem melhores condições de trabalho, mas também de circulação, disse, sublinhando ainda que 10 por cento da frota dos SMTUC está imobilizada.

Durante a cerimónia, Manuel Machado fez referência ao problema dos motoristas, notando o “escasso salário que a lei impõe”, considerando que “é tempo de corrigir [essa situação], criando-se de novo a carreira condigna de motorista”.

Em 2018, no âmbito de uma manifestação dos trabalhadores dos SMTUC, o presidente da Câmara tinha referido que a matéria só pode ser resolvida no seio da Assembleia da República, reafirmando a injustiça da reestruturação da carreira dos motoristas, que passaram a ser considerados assistentes operacionais.

“Não concordo com a obrigação que me é imposta pela lei de admitir um motorista para os SMTUC e não lhe poder pagar mais do que o salário mínimo. É uma injustiça, porque é um trabalho de grande responsabilidade”, disse, na altura, Manuel Machado.

 

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