Coimbra  13 de Maio de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Trabalhadores de ‘call center’ de Coimbra em greve contra precariedade

3 de Abril 2021 Jornal Campeão: Trabalhadores de ‘call center’ de Coimbra em greve contra precariedade

Os trabalhadores do ‘call center’ da empresa Randstad, em Coimbra, que trabalha para a NOS, iniciaram na sexta-feira, (dia 02), uma greve em protesto contra a ausência de resposta às suas reivindicações na luta contra a precariedade naquele sector.

Em declarações à agência Lusa, o delegado de Coimbra do Sindicato dos trabalhadores de ‘Call Center’ (STCC), Nuno Cerqueira, acusou a Randstad de estar a proceder a despedimentos de vários trabalhadores com contratos a termo incerto, por alegada redução da actividade.

“A Randstad opta pela completa ausência de diálogo e procede neste preciso momento a despedimentos por ‘caducidade’ de vários trabalhadores com contratos a termo incerto, alegando redução de actividade e responsabilizando por esse facto o cliente NOS, que ergueu um muro de silêncio há cerca de um ano”, disse.

Os trabalhadores estão em greve até segunda-feira, (dia 05), “não apenas para recuperar os seus rendimentos retirados de forma unilateral e injusta, mas também para protegerem os seus próprios postos de trabalho, os quais têm todas as razões para temerem que sejam extintos sem qualquer razão objetiva”.

“Esta decisão resulta da reiterada e contínua ausência de resposta ao caderno reivindicativo elaborado pelos trabalhadores e enviado à empresa ainda em 2020, que continua a optar pela completa ausência de diálogo”, salienta Nuno Cerqueira.

Do caderno reivindicativo, ressalta a exigência de que seja restituído o subsídio fixo de 200 euros para todos os trabalhadores, que “não deve estar sujeito a cortes senão na proporção a eventuais faltas dadas, na mesma medida em que sucede com o salário-base”.

Os trabalhadores reivindicam ainda igualdade no pagamento do subsídio de alimentação, que deve ser de 7,63 euros diários, bem como a efectivação de todos os trabalhadores ao fim de três anos de trabalho, com efeitos retroativos.

Defendem também o aumento do tempo de pausa para seis minutos por hora, a contabilização e pagamento do tempo trabalhado após o término do horário de trabalho mediante o estabelecido por lei e horários fixos, sem serem sujeitos a alterações.

O STCC defende que as fórmulas de cálculo dos prémios e comissões devem ser mantidas sem alterações por períodos mínimos de um ano e que os custos adicionais que resultam do regime de teletrabalho (despesas de energia, Internet e água) “devem ser consubstanciados através dum subsídio fixo, igual para todos os trabalhadores neste regime, independentemente da sua antiguidade”.

A Randstad emprega actualmente 60 pessoas no ‘call center’ de Coimbra, tendo, segundo Nuno Cerqueira, despedido 14 trabalhadores desde Dezembro, cuja reintegração é também exigida na greve que está em movimento.