Coimbra  24 de Fevereiro de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

“Sempre fui uma pessoa de projectos e desafios novos”

20 de Janeiro 2020

Perfil publicado a 25 de Janeiro de 2018, na edição n.º 910

 

Nome JOSÉ ALEXANDRE de Freitas da CUNHA Ferreira

Naturalidade Coimbra

Idade 45 anos

Profissão Presidente do Conselho de Administração da Idealmed

Passatempos Viajar com a família

Signo Virgem

 

Foi a escolha prematura em seguir o curso de Ciências Farmacêuticas que, grosso modo, o fez chegar onde está hoje. “Muitas vezes os miúdos acabam por decidir o curso que querem quase em cima da candidatura para a universidade e eu, inexplicavelmente, decidi que queria ir para ciências farmacêuticas muito cedo”, explica José Alexandre Cunha.

Ainda ponderou enveredar pela área de Economia, por considerar que seria algo que gostaria de fazer no futuro. No entanto, a área dos medicamentos, o tentar perceber como funcionam, como poderiam eles tratar doenças, como  se descobriam novas terapêuticas para o tratamento dessas doenças…tudo isso fascinava-o de tal forma que, no momento chave, não teve dúvidas em tirar um curso que considera exemplar.

O seu percurso académico e pessoal esteve sempre ligado à cidade de Coimbra. Foi em Coimbra que estudou mas sempre teve a parte da sua vida “boémia” um pouco afastada do meio académico da cidade dos estudantes. Sublinha, no entanto, o respeito pelas tradições académicas que sempre teve mas diz nunca ter pertencido à lógica de frequência assídua na associação académica. Não obstante também não adere ao discurso radical de defesa de extinção das praxes porque fazê-lo seria contrariar a sua experiência pessoal que, afirma, ter sido muito boa.

Terminada a licenciatura em Ciências Farmacêuticas fez os estágios basilares na área da farmácia e hospital, e iniciou a sua actividade profissional numa relação com a antiga Farbeira (actual Plural), durante, relativamente, pouco tempo dado que surgiu a oportunidade de ir para Paris residir durante um ano, como director de um projecto médico da multinacional Servier. Já de regresso ao seu país, esteve na liderança da farmácia Donato, sediada na altura na Rua Ferreira Borges em Coimbra. Adquiriu, depois, uma das mais antigas indústrias farmacêuticas portuguesas que estava sediada em Coimbra, os laboratórios Basi, fundada em 1956.

Decorria na altura o ano de 2003 e os laboratórios Basi atravessavam uma fase complicada. José Alexandre Cunha assumiu o risco e esta indústria foi repensada num todo, em termos de estratégias e portefólio. O resultado foi gratificante uma vez que viu o renascer e o crescimento nos anos seguintes e foi aí que, com novas ambições, seguiu outro caminho. O laboratório Basi foi vendido ao grupo FHC farmacêutica e foi aí que nasceu a ‘menina dos olhos’ deste empresário: o projecto inicial da Idealmed. Decorria o ano de 2005.

A Idealmed, explica José Alexandre Cunha, sem disfarçar o saudável orgulho nas palavras, nasce da visão de um conjunto de médicos onde ele próprio teve uma papel preponderante.

Para este jovem empresário, na altura com 33 anos, tudo isto era um sonho mas,  o sonho foi crescendo graças ao contributo de uma equipa singular, com os mesmos objectivos e mesma visão e com o apoio das pessoas que se cruzavam com este projecto. De especialidade em especialidade, o hospital foi sendo mapeado e em 2009 a Idealmed vê o seu projecto aprovado pela Câmara Municipal de Coimbra já com a sua caracterização actual e inicia a construção no ano a seguir.

A Idealmed – Unidade Hospitalar de Coimbra foi inaugurada a 16 de Maio de 2012 e  entrou em plena actividade em Setembro desse mesmo ano.

Em 2017 o grupo Idealmed adjudicou a construção do Idealmed Muscat Hospital, em Omã,  um projecto que tinha sido apresentado em Fevereiro do mesmo ano e que conjectura a sua conclusão a Dezembro de 2019 e inicio de actividade em 2020.

Esta unidade Hospitalar foi construída para dar resposta a toda a população da região do Golfo e implica um investimento de 70 Milhões de Euros prevendo 100 camas, 43 especialidades clínicas, centros especializados e serviço de atendimento médico permanente.

Sobre projectos futuros, José Alexandre Cunha não se alonga, sublinhando apenas a necessidade de ter os pés bem assentes na terra: “o importante é haver a certeza que o passo que estamos a dar é um passo consistente. A Idealmed teve muitos convites para dar corpo a outras áreas geográficas, mas estes têm de ser avaliados com critério, sabendo que vamos conseguir dar uma resposta caso aceitemos alguma dessas abordagens”. Os novos projectos, desvenda, continuam a ir além fronteiras.

O Presidente do Conselho de Administração da Idealmed não havia comentado, ainda, o comunicado tornado público em Janeiro sobre a venda, à Luz Saúde, de 70% do capital social e direitos de voto da sociedade Capital Criativo Health Care Investments II, S.A. Uma percentagem que, somada aos 10% que já detinha, confere à Luz Saúde, uma posição de controlo. O negócio está, no entanto, ainda sujeito à decisão da Autoridade da Concorrência.

É inequívoca a agitada vida profissional que leva, uma vida plena que o leva a passar muito tempo fora do país. Os passatempos e horas de lazer diminuíram e alteraram-se, naturalmente, com o decorrer dos anos, no entanto, garante, sabe harmonizar a vida pessoal com o trabalho: “o que que mais gosto de fazer é viajar em família e isto não quer dizer que tenha de ser fora de portas. Temos um país fantástico e eu orgulho-me de dizer que conheço o nosso país de Norte a Sul, de Este a Oeste e devem existir poucos sítios onde não estive.”

 

E AINDA…

Lembro-me de ter sido praxado, mas fui praxado com pinta, elevação, com elegância, por pessoas que sabiam o que estavam a fazer, com brincadeira e ousadia, mas sem pôr em causa a dignidade de ninguém e sem pôr em causa as questões basilares do relacionamento entre estudantes com mais anos de academia e quem acaba de chegar. A praxe é, acima de tudo, o acolhimento, tem de ser feita com algum critério…é a diferença entre um ‘bando de primários’ que não sabe o que está a fazer e pessoas que o fazem secularmente com todo o tipo de propriedade e que deve continuar a existir porque depois também é isso que as pessoas levam daqui.”

Ciências Farmacêuticas é um curso fantástico, exigente, longo, com um plano curricular extenso, mas que dá aos alunos uma abrangência de conhecimento que muitas vezes as pessoas desconhecem…muitas pessoas pensam que este curso é exclusivamente ‘farmácia de oficina’, mas é muito mais, com tudo o que a ‘farmácia de oficina’ tem de interessante, mas é óbvio que o curso em si não se esgota aí”.

Coimbra tinha tudo no sector da saúde mas não tinha uma unidade hospitalar privada. Tinha uma magnífica medicina pública, um conjunto de médicos com notabilidade inquestionável a nível nacional, um conjunto de equipamentos como a própria indústria farmacêutica, o surgimento de empresas ligadas ao sector dos dispositivos médicos… o cluster da saúde de Coimbra, de facto, começou a demonstrar que tinha (e tem) uma condição singular. Apesar de ter já algumas clínicas que faziam bem o seu trabalho, não havia essa unidade hospitalar e faria todo o sentido um equipamento com essas características.”

Falar de mim é, naturalmente, falar da Idealmed”.

Muita gente não acreditava e eu acreditei com a mesma convicção de todos os projectos em que me envolvo. Acreditei sempre que seria um projecto de sucesso. Quando nos envolvemos devemos sempre  dar o possível e o impossível…no caso da Idealmed, traduz-se num trabalho de uma equipa liderado por alguém, e eu assumo isso”

A Câmara Municipal de Coimbra sempre teve uma atitude de apreço por reconhecer que a Idealmed era, realmente, um equipamento que poderia trazer à cidade uma diferenciação positiva.”

Sempre fui uma pessoa de projectos e desafios novos. A determinado momento, ainda nos Laboratórios Basi, percebi que a fábrica não tinha mais condições para continuar a crescer o que me motivou a aliená-la, abraçando depois outro projecto ambicioso, a Idealmed.

Tenho uma ordem de prioridades na minha vida e apesar de ser um fanático pela materialização por este tipo de projectos e transportar o nome de Coimbra lá para fora… não troco obviamente, nessa lógica de hierarquia, qualquer projecto pelo meu projecto familiar.”

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