Coimbra  11 de Dezembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Tecnologia desenvolvida na UC combate contrafacção de tabaco

4 de Dezembro 2019

A equipa do Laboratório de Visão por Computador, com Nuno Gonçalves ao centro

Uma tecnologia de alta segurança desenvolvida pela Universidade de Coimbra (UC) está a ser usada na nova versão dos selos colocados nos maços de cigarros para evitar o contrabando e evasão fiscal, foi hoje anunciado.

Investigadores do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), liderados por Nuno Gonçalves, desenvolveram e patentearam um sistema tecnológico de codificação e descodificação de informação, composto por diferentes elementos de segurança com vários níveis de complexidade, que é apresentado como sendo impossível de falsificar.

“Podem ter passado despercebidos, mas já estão em circulação novos selos fiscais para o tabaco produzidos pela Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM)”, refere a Universidade de Coimbra.

Parte da tecnologia de alta segurança que suporta esta nova versão dos selos colocados nos maços de cigarros, para evitar o contrabando e evasão fiscal, tem a assinatura da Universidade de Coimbra, em parceria com a Imprensa Nacional Casa da Moeda.

“Uma das grandes vantagens do ‘UniQode’, assim se chama o sistema que também já está a ser utilizado no Documento Único Automóvel (DUA), é permitir a leitura e validação da autenticidade da marca em segundos, a partir de um dispositivo móvel (smartphone)”, refere a UC.

A equipa de investigadores de Coimbra desenvolveu uma aplicação móvel que permite a leitura de elementos holográficos, em versões para os sistemas operativos Android e iOS.

Desde que estejam devidamente credenciados para efectuar acções de fiscalização, elementos da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) ou da Polícia Judiciária, por exemplo, podem verificar, “em qualquer circunstância e de forma eficaz”, a autenticidade da informação.

“Trata-se de um sistema robusto criado para ser lido por sistemas ubíquos [smartphones], com uma velocidade de leitura elevadíssima. Até aqui, o processo de validação era moroso e dispendioso, realizado apenas em contexto forense, em laboratório, com recurso a equipamentos específicos”, afirma Nuno Gonçalves.

Segundo o investigador, “a solução é constituída por um conjunto de tecnologias, designadamente impressões com ‘glitter’, hologramas e códigos gráficos, reunindo as melhores e mais avançadas medidas de validação e segurança do mundo”.

“Criámos algoritmos de segurança muito sofisticados. Além disso, o sistema contém elementos de segurança provenientes de diferentes fontes invisíveis. Por exemplo, a tecnologia de impressão com partículas de ‘glitter’ que desenvolvemos permite criar um identificador único por objecto, impossível de clonar” – refere o investigador.

Aplicado com sucesso nos selos do tabaco e no DUA, o “UniQode”, que é uma marca registada pela INCM, pode estender-se a outros mercados.

“Apresenta um vasto leque de aplicações ao nível de protecção de marca, desde medicamentos, produtos alimentares, bebidas alcoólicas, calçado, produtos de luxo e marcas desportivas até ao marketing e comunicação”, adianta o coordenador do projecto.

Nuno Gonçalves refere, ainda, que a aplicação (app) de validação “pode também ser alargada ao cidadão comum, permitindo-lhe não só verificar a autenticidade dos seus documentos ou de determinado produto que pretenda adquirir, por exemplo, uma jóia, como também ser um aliado das autoridades no combate à fraude e contrafacção”.

 

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