Coimbra  15 de Julho de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Tábua: Movimento organiza protesto contra falta de apoio do Governo

26 de Janeiro 2018

Um movimento que representa vítimas dos incêndios de Outubro no concelho de Tábua, na região Centro, vai manifestar-se, na próxima sexta-feira, em frente ao Ministério da Agricultura, em Lisboa, em protesto contra a “falta de apoio” do Governo.

O Movimento de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM) reivindica a abertura de plataformas e medidas de apoio à agricultura, às florestas e à habitação até ao início de Junho, bem como a abertura de linhas de crédito para a execução de diversas candidaturas.

O movimento pede “medidas directas para a recuperação das zonas afectadas pelos incêndios e não palavras de conforto e boa vontade de que está tudo bem”.

O MAAVIM elenca uma série de situações “detectadas no terreno”, que diz terem sido transmitidas em reuniões com a Presidência da República, a Assembleia da República, o Ministério da Agricultura e os partidos com assento parlamentar.

“Não existe uma única habitação já construída no terreno e as que estão a ser construídas são com apoios particulares e de associações”, refere o movimento.

Para as habitações secundárias, que estão “todas sem medidas e apoios”, o MAAVIM reclama que sejam contempladas “no mínimo, com o apoio à construção dos telhados, paredes, portas e janelas para não acelerar o abandono rural e a desertificação”.

Exige também que os Planos Directores Municipais (PDM) dos concelhos afectados sejam “imediatamente suspensos para reorganizar o território afectado e regularizar todas as infraestruturas afectadas”.

Na agricultura, o MAAVIM argumenta que os apoios “não chegaram a muitas pessoas, outros chegaram com cortes”, e contesta que as candidaturas tenham “a mesma tipologia das candidaturas normais”.

“As pessoas têm de efectuar a compra e o pagamento antecipadamente e só posteriormente podem receber o apoio, o que na maioria dos casos vai inviabilizar a sua realização”, explica.

“A população não tem sementes para semear de novo as terras para novas colheitas, não tem alimentação, nem animais, porque arderam ou morreram durante e após os incêndios”, acrescenta o movimento.

O MAAVIM diz ainda que os agricultores não têm dinheiro para efectuar o corte e limpeza das matas até 15 de Março, data determinada pelo Governo: “Como podem cortar e limpar as matas para cumprir a lei, se não têm meios para tal?”, questiona.

Por outro lado, avisa que a floresta “está a degradar-se e sem qualquer investimento público até ao momento”, e que as vítimas que já começaram a receber indemnizações “são as de Pedrógão [dos incêndios de Junho], de Outubro nenhuma recebeu”.

Já na indústria, o MAAVIM diz que existem cerca de 431 000 euros de apoios até ao momento, mas que muitas “estão ainda à espera das decisões das seguradoras e do apoio do Estado e das candidaturas”, e que as medidas de apoio ao emprego “só abrem em Março, cinco meses após os incêndios”.

Perante a situação, o movimento de apoio às vítimas dos fogos de Outubro decidiu, em colaboração com a Confederação Nacional de Agricultura (CNA) e a Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra (ADACO), manifestar-se na próxima sexta-feira, 02 de Fevereiro, em frente ao Ministério da Agricultura, assinalando a falta de resposta do Governo às propostas apresentadas a 15 de Janeiro.

 

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