Coimbra  20 de Outubro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Tábua: Movimento organiza protesto contra falta de apoio do Governo

26 de Janeiro 2018 Jornal Campeão: Tábua: Movimento organiza protesto contra falta de apoio do Governo

Um movimento que representa vítimas dos incêndios de Outubro no concelho de Tábua, na região Centro, vai manifestar-se, na próxima sexta-feira, em frente ao Ministério da Agricultura, em Lisboa, em protesto contra a “falta de apoio” do Governo.

O Movimento de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM) reivindica a abertura de plataformas e medidas de apoio à agricultura, às florestas e à habitação até ao início de Junho, bem como a abertura de linhas de crédito para a execução de diversas candidaturas.

O movimento pede “medidas directas para a recuperação das zonas afectadas pelos incêndios e não palavras de conforto e boa vontade de que está tudo bem”.

O MAAVIM elenca uma série de situações “detectadas no terreno”, que diz terem sido transmitidas em reuniões com a Presidência da República, a Assembleia da República, o Ministério da Agricultura e os partidos com assento parlamentar.

“Não existe uma única habitação já construída no terreno e as que estão a ser construídas são com apoios particulares e de associações”, refere o movimento.

Para as habitações secundárias, que estão “todas sem medidas e apoios”, o MAAVIM reclama que sejam contempladas “no mínimo, com o apoio à construção dos telhados, paredes, portas e janelas para não acelerar o abandono rural e a desertificação”.

Exige também que os Planos Directores Municipais (PDM) dos concelhos afectados sejam “imediatamente suspensos para reorganizar o território afectado e regularizar todas as infraestruturas afectadas”.

Na agricultura, o MAAVIM argumenta que os apoios “não chegaram a muitas pessoas, outros chegaram com cortes”, e contesta que as candidaturas tenham “a mesma tipologia das candidaturas normais”.

“As pessoas têm de efectuar a compra e o pagamento antecipadamente e só posteriormente podem receber o apoio, o que na maioria dos casos vai inviabilizar a sua realização”, explica.

“A população não tem sementes para semear de novo as terras para novas colheitas, não tem alimentação, nem animais, porque arderam ou morreram durante e após os incêndios”, acrescenta o movimento.

O MAAVIM diz ainda que os agricultores não têm dinheiro para efectuar o corte e limpeza das matas até 15 de Março, data determinada pelo Governo: “Como podem cortar e limpar as matas para cumprir a lei, se não têm meios para tal?”, questiona.

Por outro lado, avisa que a floresta “está a degradar-se e sem qualquer investimento público até ao momento”, e que as vítimas que já começaram a receber indemnizações “são as de Pedrógão [dos incêndios de Junho], de Outubro nenhuma recebeu”.

Já na indústria, o MAAVIM diz que existem cerca de 431 000 euros de apoios até ao momento, mas que muitas “estão ainda à espera das decisões das seguradoras e do apoio do Estado e das candidaturas”, e que as medidas de apoio ao emprego “só abrem em Março, cinco meses após os incêndios”.

Perante a situação, o movimento de apoio às vítimas dos fogos de Outubro decidiu, em colaboração com a Confederação Nacional de Agricultura (CNA) e a Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra (ADACO), manifestar-se na próxima sexta-feira, 02 de Fevereiro, em frente ao Ministério da Agricultura, assinalando a falta de resposta do Governo às propostas apresentadas a 15 de Janeiro.