Coimbra  23 de Janeiro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Subida do Mondego já bateu recorde e próximas 12 horas são cruciais

21 de Dezembro 2019

(imagem de 2016, em Montemor-o-Velho)

 

O distrito de Coimbra, que tem já activado o Plano Distrital de Emergência, é um dos mais afectados pelo mau tempo dos últimos dias e o rio Mondego já ultrapassou os limites de segurança, sendo que a próximas 12 horas serão fundamentais.

Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) “o caudal do rio Mondego no Açude-Ponte ultrapassou os limites de segurança de 2000 metros cúbicos por segundo, pelas 09h30, com tendência de subida durante as próximas horas, sendo a situação muito crítica”.

A barragem da Aguieira está a 94 por cento da sua capacidade e a barragem de Fronhas está já no seu nível máximo de cheia, sendo que o “quadro meteorológico é de alerta especial nível Vermelho”.

Outras das situações é a “intensidade elevada e ausência de monitorização do rio Ceira, pelo que é expectável uma situação crítica de cheia, recomendando-e a população a estar em estado de permanente alerta e a respeitar todas as indicações das autoridades que estão no terreno e sinalização”, adianta a Câmara Municipal de Coimbra.

“Por força do estado de emergência das situações descritas que se podem verificar nas próximas horas no concelho de Coimbra, e estando activado o Plano de Emergência, foi ordenada esta manhã a evacuação do Centro de Estágio Habitacional (Parque de Nómadas), situado no Bolão, junto à academia da Académica, bem como foi ordenada a evacuação do Canil municipal, que se situa no Choupal”, adianta a autarquia.

Para além disso, foi deslocada a maquinaria do horto e do estaleiro municipais, tendo sido deslocalizados para o estacionamento contiguo à Casa Municipal da Protecção Civil.

Em Montemor-o-Velho, a situação é crítica com a evacuação de pessoas e bens, nomeadamente em Formoselha, Santo Varão e Pereira.

Em declarações à SIC, o presidente da Câmara Municipal Emílio Torrão disse que “a qualquer momento se pode dar o colapso dos diques de segurança”, revelando ainda que “não haverá tempo de reacção se tal acontecer”. “Se houver rebentamento não temos capacidade de resposta”, nota.

A obra hidrográfica do Mondego tem 30 anos e, lembra o autarca montemorense, “não há memória de isto ter acontecido, nem em 2001, nem em 2016”.

O autarca pede aos cidadãos que evitem “deslocações pelo concelho, principalmente nos locais historicamente mais vulneráveis a alagamentos e inundações rápidas”.

A Estrada Nacional 341, entre a povoação de Granja do Ulmeiro (que pertence ao concelho vizinho de Soure e onde se situa a estação ferroviária de Alfarelos) e Formoselha, está inundada e cortada ao trânsito, a exemplo de uma estrada junto ao rio Mondego entre Formoselha e Pereira. Também cortadas estão outras seis vias municipais e pontões de acesso entre as duas margens do rio, na zona dos campos agrícolas.

As inundações na zona de Alfarelos (na qual a linha de comboio está submersa desde ontem ao final do dia) estão a provocar a suspensão da circulação de comboios de longo curso na Linha do Norte, que liga Lisboa ao Porto, e a ligação suburbana entre a Figueira da Foz e Coimbra.

Também na Lousã continuam “os problemas de abastecimento de água a uma parte significativa do concelho”, estando equipas da autarquia e de prestadores de serviços “a trabalhar no sentido de procurar repor a normalidade com a maior brevidade possível”. A população está, entretanto, a ser abastecida com recurso a veículos dos bombeiros de grande capacidade (de várias corporações de Bombeiros do Distrito), contudo, “atendendo aos estragos verificados, esta acção não tem sido suficiente para resolver todas as necessidades”.

Segundo a Câmara Municipal, verificam-se, ainda “danos em vias, espaços públicos e privados um pouco por todo o concelho, com especial incidência nas freguesia de Foz de Arouce e Casal de Ermio e, também, na freguesia de Serpins onde a Praia Fluvial da Senhora da Graça e todas as estruturas ali existentes sofreram danos muito relevantes”. Para além disso, também as Piscinas Naturais da Nossa Senhora da Piedade, na freguesia da Lousã e Vilarinho, registam “danos expressivos”.

Os caudais do rio Ceira e a ribeira de São João “têm oscilado, causando dificuldades acrescidas aos trabalhos necessários, como a remoção de material lenhoso arrastado pelas águas”, adiantando o Município que “estão a ser efectuados trabalhos de desobstrução de vias, corte de árvores e remoção de terras em diversos locais do concelho, prevendo-se que estes trabalhos se prolonguem por mais alguns dias”.

O Plano Municipal de Emergência de Protecção Civil continua activo na Lousã, o mesmo que também foi activado em Oliveira do Hospital, desde as 08h00 de hoje.

Uma decisão que surge pelas diversas ocorrências e que “poderão colocar em causa a segurança das populações”, garantindo-se, assim, “a mobilização rápida e eficiente de todos os meios e recursos da protecção civil”.

No concelho, têm-se registado inúmeras ocorrências, “sobretudo ao nível de destruição de praias fluviais, derrocada de taludes, desababamento de plataformas de infraestrutras rodoviárias e queda de árvores”.

 

A mesma situação se vive em Tábua, onde o Plano de Emergência foi activado esta manhã, pelas 09h00. No caso deste concelho, a maior preocupação prende-se com a destruição de uma conduta de água de abastecimento a Tábua, “estando provisoriamente os Bombeiros Voluntários a proceder ao abastecimento do depósito”, pelo que se aconselha a população a “adoptar outras medidas básicas de desinfecção, em complemento às medidas de desinfecção química (cloragem) que já estão a ser levadas a cabo pela entidade gestora, nomeadamente, a desinfecção por fervura”.
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