Coimbra  18 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

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SRCOM: Falhas informáticas prejudicam atendimento de doentes

18 de Janeiro 2019

Um estudo realizado pela Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) revela que “falhas informáticas consecutivas prejudicam a actividade clínica e o atendimento aos doentes”.

A realização do inquérito foi motivada pelas “inúmeras queixas e reclamações sobre a funcionalidade e operacionalidade de muitas das aplicações informáticas utilizadas no Serviço Nacional de Saúde, designadamente sobre o ‘Programa SClínico’”, e conclui que “dos médicos que responderam ao inquérito, 79,2 por cento afirma que o ‘SClínico’ não é rápido, 42,5 por cento diz que não é fácil e 62,6 por cento dos inquiridos afirma que não facilita o trabalho em ambiente de consulta”. Mais grave é o facto de “82,1 por cento dos médicos que responderam ao questionário dizerem que o programa informático provoca novos problemas que interferem na actividade clínica”.

Estes são “números que concretizam as inúmeras denúncias da SRCOM: a fraca e péssima qualidade deste serviço prestado pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, EPE (SPMS) faz com que seja cada vez mais difícil, por exemplo, consultar o registo clínico, prescrever medicamentos e Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica”, adianta a Ordem dos Médicos.

O estudo mostra, ainda, que este programa apresenta “erros e bloqueios frequentes, situação reportada por 84,9 por cento dos inquiridos”, adiantando que “a percentagem de respondentes que afirma que o serviço de apoio informático – ‘ServiceDesk’ é ineficaz atinge os 74,4 por cento”.

“Os responsáveis dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde desconhecem a dimensão e a gravidade do problema porque não se deslocam às unidades do SNS”, afirma Carlos Cortes, presidente da SRCOM, adiantando que “a inércia da entidade responsável pela gestão do sistema informático do SNS está a causar graves problemas, com forte impacto na vida dos utentes”.

Segundo o médico, “esta recolha de dados confirma os alertas”, sublinhando que “a informatização clínica do SNS não é eficaz nem eficiente. Além das inúmeras dificuldades já existentes, a sistemática incompetência demonstrada na introdução de novas funcionalidades está a prejudicar o trabalho dos profissionais”.

Este problema provoca “um impacto inaceitável sobre os doentes, obrigando ao cancelamento ou adiamento de consultas”, até porque, diz, “há doentes que voltam repetidamente ao seu Centro de Saúde, apenas e só, devido aos problemas dos constantes bloqueios do sistema informático”.

Neste sentido, Carlos Cortes deixa o apelo aos SPMS: “antes de se avançar com novos sistemas é necessário resolver estes bloqueios desesperantes”.

Esta recolha de dados, com mais de 500 respostas, foi realizada através de questionário online anónimo voluntário, no mês de Dezembro de 2018.

Todos os dias chegam à Ordem dos Médicos queixas, denúncias e alertas.

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