Coimbra  25 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

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SRCOM denuncia elevados valores de dióxido de carbono na USF de Celas

16 de Agosto 2017

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) constatou as más condições do edifício onde funciona a Unidade de Saúde Familiar de Celas, em Coimbra, tendo já transmitido o alerta da gravidade da situação ao ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

“Esgotos a escorrerem pelas paredes exteriores; janelas podres; fissuras no tecto de vários gabinetes e infiltrações no pavimento, deficitária ventilação que torna o ar irrespirável nalgumas salas; rede informática e eléctrica com falhas diárias e elevados valores de concentração de dióxido de carbono (CO2) são alguns exemplos do estado de degradação do Bloco A do edifício onde funciona a Unidade de Saúde Familiar CelaSaúde, no centro da cidade de Coimbra”, revela a SRCOM.

O imóvel está, por isso, “a colocar em risco a saúde dos profissionais e utentes”, sendo que a Ordem dos Médicos teve já conhecimento de acidentes com alguma gravidade, como a queda de uma armadura eléctrica em cima de um médico durante uma consulta”.

Carlos Cortes, presidente da SRCOM, denuncia que se registam “elevados valores de concentração de CO2 que excedem os limiares a partir dos quais já são nocivos para a saúde humana”.

O alerta enviado ao Ministério da Saúde contém, além da descrição da situação, fotografias para exemplificar o estado de degradação do imóvel.

“As condições são de tal modo adversas e com tal gravidade que é urgente realizar as obras há muito prometidas pela Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) que, sistematicamente, não cumpre o que promete. Estamos perante uma ARSC despreocupada, opaca e insensível”, afirma o médico.

Para Carlos Cortes “é inadmissível prestar cuidados de saúde nestas condições”, lamentando que “mesmo após inúmeras reuniões e troca de documentação entre os responsáveis da USF CelaSaúde e a Administração Regional de Saúde do Centro” a situação continue sem qualquer resposta.

Actualmente, a USF CelaSaúde conta com 33 profissionais e está instalada no Bloco A do Centro de Saúde de Celas, onde funciona desde 2008, prestando cuidados de saúde a perto de 17 000 utentes que residem no centro da cidade.

“A coordenação desta Unidade de Saúde reclama obras de reabilitação total do Bloco A deste edifício, com particular insistência, desde 2014. Desde então, o estado de degradação do imóvel agrava-se”, realça a SRCOM.

Carlos Cortes adianta que “a ARSC tem demonstrado estar completamente paralisada na resolução dos graves problemas que atingem os cuidados de saúde primários, o que espelha uma profunda insensibilidade pelas condições de trabalho dos profissionais de saúde e pelos problemas dos doentes”.

E continua, dizendo que “mudar telhado e janelas já não chega para resolver a gravidade da situação. É vasto o rol de problemas”, sublinha, exemplificando outras duas situações: “Não há sistema de detecção de incêndios e a rede de frio é insuficiente (o que já provocou perda de lotes de vacinas)”, considerando que estas são “condições admissíveis”.

O presidente da SRCOM repudia o atraso para o início de obras neste edifício antigo e critica o desprezo da ARSC para com as unidades de cuidados de saúde primários que carecem de intervenções urgentes, citando também o ‘crónico’ caso do Centro de Saúde de Fernão de Magalhães.

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