Coimbra  26 de Setembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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SRCOM critica vagas para médicos especialistas na região Centro

27 de Dezembro 2019 Jornal Campeão: SRCOM critica vagas para médicos especialistas na região Centro

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) critica o mapa de vagas para a colocação de especialistas, uma vez que considera os critérios de colocação uma “afronta” às necessidades reais da região Centro, pois apenas 89 das 482 vagas existentes são para esta zona do país.

Em face dos concursos para Medicina Geral e Familiar e Saúde Pública e médicos especialistas das áreas hospitalares, Carlos Cortes, presidente da SRCOM, considera que “o Ministério da Saúde está a afastar os médicos do Serviço Nacional de Saúde”.

“O Ministério da Saúde abriu vagas para 12 recém-especialistas de Medicina Geral e Familiar na região Centro, mas são necessários 40 médicos de família nesta região”, afirma Carlos Cortes.

O presidente acrescenta, ainda, que “dos perto de 400 médicos de família necessários ao país, não é compreensível que o Ministério da Saúde apenas disponibilize 120 vagas limitando assim a escolha dos candidatos e dificultando a sua fixação no Serviço Nacional de Saúde. Semelhante situação está a acontecer a nível hospitalar, isto é, as vagas necessárias a muitos hospitais estão a ser vedadas aos potenciais candidatos”.

Carlos Cortes afirma mesmo que “o Ministério da Saúde está a tornar-se no maior entrave à fixação dos médicos no SNS, sendo este o único responsável caso a totalidade dos lugares a concurso não venha a ser preenchida, como seria desejável”.

Por exemplo, o actual concurso distribuiu vagas da seguinte forma em Medicina Geral e Familiar e Saúde Pública: Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) Baixo Mondego – 2 vagas; ACeS Baixo Vouga – 1; ACeS Cova da Beira – 1; ACeS Dão Lafões – 2; ACeS Pinhal Interior Norte – 2; ACeS Pinhal Litoral – 2; ACeS Guarda – 2; e Saúde Pública – 2.

Já para as áreas hospitalares foram atribuídas para a região Centro 75 vagas, distribuídas da seguinte forma: CHUC – 6; IPO Coimbra – 2; Unidade Local de Saúde de Castelo Branco – 7; Centro Hospitalar Baixo Vouga – 5; Centro de Reabilitação Região Centro Rovisco Pais – 1; Centro Hospitalar de Leiria – 11; Centro Hospitalar Cova da Beira – 19; Centro Hospitalar Tondela-Viseu – 7; Unidade Local de Saúde da Guarda – 12; e Hospital da Figueira da Foz – 5.

Carlos Cortes alerta, ainda: “este tipo de concursos não tem favorecido a contratação de médicos para o SNS, tal como em todos os anteriores. Essa é uma evidência. Estranha-se que o Ministério da Saúde insista num procedimento em que não são propostos todos os lugares necessários para possibilitar uma oferta mais vasta e mais capaz de fixar os médicos no SNS. Desta forma, o Ministério da Saúde irá deixar milhares de utentes sem acesso adequado e atempado aos cuidados de saúde”.

O presidente da SRCOM exige que sejam tornados públicos os critérios subjacentes a estes concursos e as vagas pedidas pelos hospitais e pelas unidades de cuidados de saúde primários, de forma a que todo o processo seja mais transparente.