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SRCOM critica Ministério por “desprezo” pela formação contínua

9 de Fevereiro 2017 Jornal Campeão: SRCOM critica Ministério por “desprezo” pela formação contínua

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) considera “surpreendente” o decreto-lei 5/2017 de 06 de Janeiro, acusando o Ministério da Saúde de desprezo em relação à formação contínua dos médicos.

Esta posição vem no seguimento da proibição de patrocínios por parte de fornecedores da saúde nas instalações do Serviço Nacional de Saúde, algo que a Secção do Centro “repudia”, já que é uma medida “encapotada de falsa moralidade por parte da tutela”.

O diploma levará a que a formação médica contínua seja “fatalmente prejudicada, esvaziando-a dos hospitais públicos e desviando-a para o sector privado ou instalações hoteleiras sob um manto de fingimento e de moralização”, afirma Carlos Cortes, presidente da SRCOM, adiantando que “tal resulta, ainda, na desqualificação da capacidade de decisão dos conselhos de administração e direcções clínicas que o próprio Ministério da Saúde nomeou”.

Em tom crítico, o líder dos médicos, que tomou posse para segundo mandato esta semana, assume que “a responsabilidade de definir a essência e os limites da sua profissão deve ser dos médicos e não de dirigentes totalmente alienados da realidade e dos problemas do dia-a-dia”

“Esta proibição, que agora entrou em vigor, a pretexto de uma bitola de transparência, isenção e imparcialidade no sector da Saúde resultará em graves prejuízos para todas as actividades de natureza científica às quais a tutela nunca garantiu qualquer apoio”, adianta.

O médico continua dizendo que “ao esvaziar as unidades públicas de Saúde da formação médica contínua, o Ministério está a desprezar os médicos e, por consequência, os doentes”, deixando uma questão no ar: “O Ministério da Saúde financiará a formação clínica pós-graduada ou está, simplesmente, a querer desviar congressos e reuniões científicas exclusivamente para espaços privados?”.

A solução, segundo Carlos Cortes, só pode ser uma: “esta golpada em forma de decreto-lei tem de ser revogada”.