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SRCOM alerta para “cuidados cirúrgicos em risco” no Hospital dos Covões

14 de Maio 2018 Jornal Campeão: SRCOM alerta para “cuidados cirúrgicos em risco” no Hospital dos Covões

A Urgência dos Hospital dos Covões, que integra o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), está “sem capacidade de resposta nalguns turnos de cirurgia”, denuncia a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM).

A partir de Junho, segundo a Ordem, “nem sequer será possível cumprir os requisitos mínimos definidos pelo respectivo colégio de especialidade para constituir uma equipa de cirurgia no serviço de Urgência”, adiantando que “está a ser destruído um polo importante da Saúde em Coimbra que merecia ser valorizado”.

Carlos Cortes, presidente da SRCOM, afirma que “Já há dias em que a escala é constituída apenas por um especialista e um interno. E, durante a noite, apenas está escalado um cirurgião”. Uma realidade que a Ordem condena, alertando para as “graves irregularidades no serviço de cirurgia do Hospital dos Covões” e exortando os responsáveis do Ministério da Saúde “a pôr cobro a esta situação alarmante”.

“Esta é uma situação gravosa para os doentes. A inexistência de uma escala completa de cirurgiões na urgência deste hospital constitui uma ameaça para a população. Deixar de ter médicos para operar em situações urgentes ou emergentes não é digna de um serviço de urgência de um país civilizado”, considera Carlos Cortes.

O Hospital dos Covões, pouco a pouco, tem sido “esvaziado das suas valências não sendo aproveitada a enorme mais-valia que esta unidade representa. É um atentado à prestação dos cuidados de saúde e é um incompreensível desperdício financeiro”, refere.

Segundo a Ordem dos Médicos, o problema agravou-se com a “ausência de concurso para os dois cirurgiões recém-especialistas”, o que significa que, a partir do próximo mês “não será possível cumprir os requisitos mínimos definidos pelo respectivo colégio de especialidade para o serviço de urgência”.

“A situação é de tal modo grave que estão a ser desencadeados os procedimentos atinentes a verificar se o serviço poderá continuar a servir os doentes”, nota.

A SRCOM confirma que “está particularmente atenta e não deixará de pugnar pela existência de cirurgiões nas urgências do Hospital dos Covões”, adiantando que esta é apenas “uma das partes visíveis das tremendas dificuldades naquela unidade do CHUC. O problema de base é deixar desaparecer um Hospital inteiro quando se deveria ter mais ambição e aproveitar as instalações de modo a oferecer mais cuidados diferenciados e alargados”.

Recorde-se que, de acordo com o que define o Colégio de Cirurgia da Ordem dos Médicos, “o número mínimo da equipa de Cirurgia Geral na Urgência é de três especialistas, podendo um ser substituído por um interno dos três últimos anos de especialidade. Também está definido que, no caso de necessidade de intervenção cirúrgica, deverá haver, no mínimo, três cirurgiões no hospital, com conhecimento e capacidade para executar a intervenção”.