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Soure estreia programa “Aldeia Segura” em Brunhós

15 de Junho 2018

O Município de Soure estreou, hoje, o programa “Aldeia Segura, Pessoas Seguras” na localidade de Brunhós, no norte do concelho, onde residem cerca de 180 pessoas, a maioria idosos.

“É uma freguesia isolada, para chegar aqui e sair daqui é preciso passar por floresta. Achámos que era a localidade, até pela sua organização urbana, que tinha necessidade e podia ser um bom exemplo para demonstrar a necessidade do programa”, disse à agência Lusa o presidente da autarquia, Mário Jorge Nunes.

O autarca explicou que foi nomeado um oficial de segurança local (Justino Santiago, um antigo militar da GNR, hoje reformado) e foi colocada sinalética “adequada a um plano de evacuação” no centro da povoação, num pequeno largo, junto a um café, definido como ponto de encontro dos habitantes.

Em caso de necessidade, a igreja da localidade servirá de abrigo improvisado à população, adiantou.

“O princípio é que o programa possa funcionar quando nós, os responsáveis, não pudermos cá chegar ou não chegarmos cá a tempo. Em primeira instância, as pessoas destas aldeias têm de olhar para elas e para o modo de se protegerem, saber ter uma atitude positiva em situações de emergência, lidar com o pânico e com o risco. Numa segunda intervenção, chegam os bombeiros, a GNR, a Protecção Civil municipal, mas enquanto não chegarem as pessoas correm riscos e têm de saber organizar-se e ter uma atitude de protecção. Fazendo isso, podem conseguir salvar as suas vidas”, argumentou Mário Jorge Nunes.

No simulacro hoje realizado – em que participaram responsáveis autárquicos e da Protecção Civil Municipal e meios dos bombeiros voluntários de Soure, após receber das autoridades o alerta para um incêndio florestal próximo da povoação -, o oficial de segurança Justino Santiago contactou um habitante que tem acesso à igreja para tocar o sino a rebate e, com um apito “parecido com o que a GNR utiliza”, percorreu as ruas “a apitar” para dar o alerta, enquanto o sino continuava a tocar.

Os habitantes reuniram-se, depois, no ponto de encontro, localizado no largo, ao ar livre: “Reúnem-se fora de casa, porque é preciso identificar as pessoas, verificar se falta alguém, pode haver um idoso para ir buscar e ele [o oficial de segurança] conhece as pessoas da aldeia, pelo menos os mais vulneráveis”, disse o presidente da Câmara.

Em declarações à Lusa, Justino Santiago afirmou que aceitou o convite para a função sem hesitar. “Não hesitei porque pensei no benefício que iria dar à população. Irei dar o meu melhor, sou natural e residente na aldeia, conheço as pessoas, as pessoas conhecem-me e penso que, dentro do possível, irão aceitar as instruções dadas”, sublinhou.

Justino Santiago explicou que a função exige um trabalho preparatório, que passa por verificar bocas de incêndio ou a necessidade de limpeza de terrenos, mas também saber quem são as pessoas com necessidades especiais de mobilidade, como os acamados, e recolher os respectivos contactos.

“Em caso de emergência, contactar a pessoa que tem acesso à igreja para que o sino toque a rebate, avisar as pessoas para que desliguem o gás e a electricidade e fechem as portas, saiam de casa e se reúnam aqui. Depois, se for necessário, canalizamos as pessoas para o abrigo, que será na igreja”, indicou.

Já o presidente da União de Freguesias de Gesteira e Brunhós, Rafael Gomes, disse que esta última localidade – que até à reorganização administrativa era uma freguesia de lugar único – “é um lugar de pessoas bairristas e muito unidas que aderiram de imediato” ao programa “Aldeia Segura, Pessoas Seguras”.

“No ano passado ocorreu um incêndio aqui às portas da povoação e as pessoas têm isso presente. Têm essa ânsia de estar preparadas e saber o que fazer em caso de catástrofe”, frisou Rafael Gomes.

 

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