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SOS Pessoa Idosa: Casos de violência denunciados estão a aumentar

7 de Março 2017 Jornal Campeão: SOS Pessoa Idosa: Casos de violência denunciados estão a aumentar

O número de casos de violência denunciados ao serviço SOS Pessoa Idosa está a aumentar e as mulheres representam a maioria das vítimas, sobretudo nos distritos de Lisboa, Porto e Coimbra, segundo dados hoje revelados.

Criado em 2014 pela Fundação Bissaya Barreto, de Coimbra, o SOS Pessoa Idosa integra uma linha gratuita de atendimento telefónico, um serviço de atendimento directo e personalizado e outro de mediação familiar.

Durante o ano de 2016, a linha SOS Pessoa Idosa recebeu 173 pedidos de ajuda, via telefone e ‘e-mail’.

Segundo a Fundação Bissaya Barreto, “em 2015 registaram-se 146 apelos que conduziram a 71 processos”, enquanto “em 2016 surgiram 173 apelos que geraram 152 processos”.

“Só este ano, até ao dia 07 de Março, contabilizam-se 68 apelos e 57 processos individuais, o que se reflete numa média de 28 casos por mês”, acrescenta.

Na maior parte dos casos são denunciadas situações de violência sobre mulheres idosas: “64 por cento dos casos denunciados são referentes a mulheres, metade destas viúvas, com uma média de idade de 79 anos”.

Os dados recolhidos pela fundação apontam que “mais de um terço (34 por cento) vivem sozinhas, cabendo uma percentagem menor às que residem na companhia do cônjuge (20 por cento) ou de filhos (19 por cento)”.

No que respeita ao agressor, “são muitas vezes os próprios descendentes, homens com média de 54 anos, a maior parte solteiros”.

“No ano de 2016, nas situações que chegaram ao Serviço SOS Pessoa Idosa, 55 por cento dos agressores são filhos das vítimas (40 por cento filhos, oito por cento filho e nora, sete por cento filha e genro)”, explica a Fundação Bissaya Barreto, acrescentando que estas situações foram denunciadas sobretudo por vizinhos e amigos.

Essencialmente nos últimos meses do ano passado, “o Ministério Público, concretamente, a Procuradoria-Geral Distrital de Coimbra, foi responsável por 11 por cento das sinalizações realizadas ao Serviço SOS Pessoa Idosa, fruto de um protocolo de cooperação firmado entre esta instituição e a Fundação Bissaya Barreto”, acrescenta.

A maior parte dos apelos teve origem no distrito de Lisboa, seguindo-se os de Coimbra e do Porto.

A responsável pelo Serviço SOS Pessoa Idosa, Fátima Mota, considera que o aumento do número de apelos se deve “a uma maior implementação do serviço, resultado, por um lado, de um trabalho de afirmação e divulgação, e, por outro, de uma maior sensibilidade social para o problema, por parte das vítimas, dos profissionais e da sociedade em geral”.

“É um trabalho sempre inacabado, pelo que é absolutamente necessário promover a defesa e o respeito dos direitos humanos nas escolas e nas famílias, desde tenra idade”, sublinha.