Coimbra  8 de Maio de 2021 | Director: Lino Vinhal

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“Somos Coimbra” acusa CMC de destruir vegetação entre o Rebolim e a Portela

25 de Março 2021 Jornal Campeão: “Somos Coimbra” acusa CMC de destruir vegetação entre o Rebolim e a Portela

Depois do movimento “Cidadãos por Coimbra” foi hoje a vez de o “Somos Coimbra” mostrar-se descontente com a intervenção que a Câmara Municipal de Coimbra realizou entre a praia do Rebolim e a ponte da Portela.

Segundo o movimento “Somos Coimbra”, “o habitat da zona foi destruído e a margem do rio ficou completamente desprotegida contra a erosão”, realçando que até ao momento, não foi apresentada “qualquer justificação ou planeamento por parte da autarquia para esta intervenção tão drástica e anti-ecológica”, tendo em conta que não existe “nenhum projecto para aquele espaço nobre e sensível” debatido ou aprovado.

Contudo, na última reunião do Executivo municipal, onde o “Somos Coimbra” tem dois vereadores, o presidente da Câmara explicou que a limpeza daquela zona se impunha, quer pelo enorme matagal existente, quer devido aos troncos e outros detritos trazidos pelas cheias do Mondego.

“Foi também enorme a quantidade removida de pneus e placas de lusalite (que têm amianto), entre outro lixo ali depositado”, referiu Manuel Machado, respondendo aos que têm criticado esta acção: “Estado tudo calado quando aquilo se encontrava ao abandono, agora que foi limpo está tudo contra”.

Hoje, em comunicado, o “Somos Coimbra” considera que a destruição das galerias ripícolas numa extensão de quase dois quilómetros é “inteiramente condenável”

Sem entender o motivo de tal comportamento por parte da Câmara de Coimbra. o movimento considera que a intervenção vai “originar o aumento da velocidade da corrente ampliando os efeitos negativos das cheias; e vai ainda contribui para desestabilizar a margem direita (pela falta das raízes de árvores e arbustos) tornando-a extremamente vulnerável à erosão pela corrente, pelo que é expectável que se percam grandes extensões de terreno nas próximas cheias, com os detritos a acumularem-se junto ao açude”.

“Somos Coimbra” acrescenta, ainda, que “para além de destruir o abrigo e o alimento para a fauna terrestre e aquática, afectando a biodiversidade”, vai também “dar origem à necessidade de um novo desassoreamento do rio em menos de 10 anos, tal como no Rebolim”.