Coimbra  4 de Julho de 2020 | Director: Lino Vinhal

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“Somos Coimbra” aberto ao diálogo e espera nova postura do PS

30 de Dezembro 2019 Jornal Campeão: “Somos Coimbra” aberto ao diálogo e espera nova postura do PS

José Mário Albino, Ana Bastos, José Manuel Silva, Filomena Girão, Isabel Maia e Bernardo Albuquerque

 

Na sequência do chumbo do Orçamento da Câmara Municipal e as Grandes Opções do Plano (GOP) para 2020, o Movimento “Somos Coimbra” faz saber que está “disponível para o diálogo”, esperando que “este momento marque uma mudança de atitude por parte do Partido Socialista”.

Em conferência de imprensa, José Manuel Silva, líder deste Movimento da oposição, considera que o PS tem uma forma “gasta, antiga e simplória de fazer política que tem levado ao decaimento de Coimbra”, uma cidade que, adianta, “está a mudar, está mais exigente com os partidos políticos e o PS ainda não percebeu isso”.

O “Somos Coimbra” sublinha, ainda, que o PS poderá apenas “queixar-se de si próprio e do desrespeito que tem demonstrado pelas pessoas de Coimbra, porque, quando não ouve a oposição, está a menosprezar grosseira e gravosamente 2/3 dos munícipes do concelho, que não votaram nesta governação”. O PS “devia dialogar seriamente com as restantes forças políticas”, uma “excelente prática democrática, mas não faz”, notou, sublinhando que o partido devia, também, “criar pontes e maiorias, falar com a oposição e não impor ditatorialmente a sua vontade à maioria”.

Para José Manuel Silva, os socialistas desrespeitaram, até, “o acordo que têm com o PCP no executivo”.

O Movimento recorda que o PS “tem o dever de dar um Orçamento a Coimbra” e espera que o partido “cumpra o seu dever e apresente rapidamente uma nova proposta à Assembleia Municipal, mas que oiça os partidos, no mínimo, o parceiro da oposição”.

Assim, o líder do “Somos Coimbra”, enfatiza que o Movimento está “disponível para o diálogo, para que, em conjunto, se possa fazer o melhor para Coimbra”.

Justificando a sua decisão de chumbar o Orçamento, o Movimento afirma que o GOP e o Orçamento “não demonstram nenhuma estratégia para o concelho; antes se resumem a um rol de obras avulsas (algumas das quais, importantes e benéficas, naturalmente), sem que ali se explicite qualquer rumo para um concelho que está cada vez mais envelhecido e estagnado”.

Para o “Somos Coimbra” há três pontos “imprescindíveis” que deverão ser incluídos no GOP: “uma Coimbra economicamente desenvolvida (com uma política que vise a captação de empresas e criação de emprego), (…); uma Coimbra atractiva, jovem e moderna (e para tal preconiza a revivificação da zonas antigas da cidade – “Baixa” e “Alta”); e uma Coimbra participada (com a criação de órgãos e fóruns de discussão e participação regular)”.

“Coimbra está uma cidade velha e sem futuro e isso reflecte-se em tudo negativamente”, notou José Manuel Silva, alertando para o facto de não ter sido “por acaso que toda a oposição se uniu”. “Este chumbo é um exercício de democracia e o PS é obrigado a dialogar e a construir pontes”, afirmou, reiterando que esperam que o Partido no poder “apresente um novo GOP depois de garantir a viabilidade da sua aprovação”, dando como exemplo o que fez o “PS nacional com a ‘Geringonça’”.

Quanto à possibilidade de Coimbra ficar sob a gestão em regime de duodécimos, o “Somos Coimbra” afirma que tal “seria muito mau para Coimbra e uma gestão muito difícil para o início de um período de descentralização muito complexo”, mas, nota, se o PS assim o fizer “não pode responsabilizar ninguém”.

“Em dois anos de mandato votámos a favor de 75 por cento das deliberações do executivo camarário e da Assembleia Municipal, abstivemo-nos em 14 por cento e rejeitámos os restantes 11 por cento”, sublinhou o antigo bastonário da Ordem dos Médicos.

Segundo o também vereador, o Movimento votou contra as GOP e o Orçamento para 2020 de “maneira responsável e consciente, como continuará a fazer sempre que não concordar com o que é proposto, da mesma maneira que continuará a aprovar, sem qualquer constrangimento, as decisões que entenderem benéficas para Coimbra”.