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“Sísifo Liberto” de Pedro Baptista vence 2.ª edição do Prémio Literário Carlos Carranca

27 de Fevereiro 2024 Jornal Campeão: “Sísifo Liberto” de Pedro Baptista vence 2.ª edição do Prémio Literário Carlos Carranca

A espera terminou para os entusiastas da literatura, com o anúncio da obra vencedora da 2.ª edição do Prémio Literário Carlos Carranca. O veredicto foi revelado no passado sábado, na Biblioteca Municipal Comendador Montenegro, pelo porta-voz do júri, José António Franco. Este júri, composto pelos escritores Alice Neto de Sousa, António Vilhena, José António Franco, Maria de Fátima Toscano, juntamente com a professora Maria Fernanda Redondo, contou ainda com a presença da vice-presidente da Câmara, Henriqueta Oliveira, e de Rosa e Miguel Carranca, representando a família do patrono.

A honra de receber o prémio foi concedida, por unanimidade, à obra “Sísifo Liberto”, da autoria de Pedro Baptista, que escreveu sob o pseudónimo de “Sísifo”.

O júri, na fundamentação da sua escolha, destacou que “Sísifo Liberto” é uma profunda reflexão sobre a liberdade, tingida de tragédia e sonho, apresentada através de um leitmotiv consistente e uma linguagem elegante e rigorosa. A obra é descrita como uma alegoria da inutilidade, inevitável e absurda, que permeia o quotidiano do homem contemporâneo. Esta reflexão culmina na constatação de que “a liberdade é mera ilusão”, e apenas o livro, assim como o homem quando nele se perde e se encontra, é verdadeiramente livre. A tragédia do mito faz-se presente no verso curto e no ritmo lento da caminhada, revelando a essência da própria pedra, “a ilusão do livre arbítrio”, a cada sílaba.

Pedro Baptista, que também se faz chamar Xavier Zarco, já foi agraciado com diversos prémios literários, destacando-se entre estes o Prémio de Poesia Vítor Matos e Sá em 2004 e 2007, o Prémio de Poesia Bocage em 2005 e 2010, o Prémio Raul de Carvalho em 2005, o Prémio da Lusofonia em 2007, e o Prémio Sebastião da Gama em 2017.

O Prémio Literário Carlos Carranca não se limita apenas a honrar o vencedor, mas inclui também a publicação da obra vencedora em livro, pela Câmara Municipal da Lousã, com uma tiragem de 250 exemplares, um prémio pecuniário no valor de 1.500 euros, e uma residência artística no refúgio de trabalho de Carlos Carranca, na sua casa no Prilhão, Lousã.

Este prémio foi instituído em memória do poeta Carlos Carranca, com fortes laços pessoais e familiares à Lousã, como uma forma de eternizar o seu legado. A cerimónia de entrega do Prémio está agendada para o dia 23 de Março, seguida por uma tertúlia dedicada à canção de intervenção, integrada nas celebrações dos 50 anos do 25 de Abril.