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Serra da Lousã: Reintrodução de veados impediu extinção

14 de Janeiro 2017

O coordenador da Unidade Vida Selvagem da Universidade de Aveiro (UA) considerou, hoje, um sucesso a reintrodução de veados na serra da Lousã, desaparecidos daquele território durante décadas.

“Há mais de 3 000 veados a viver em estado selvagem na Serra da Lousã e áreas envolventes, descendentes de cerca de uma centena de animais reintroduzidos na serra, no final dos anos 90” [do século XX], assinala o biólogo Carlos Fonseca, natural de Penacova, citado num comunicado da UA.

Entre 1995 e 2004, foram reintroduzidos 120 animais nos concelhos da Lousã, Figueiró dos Vinhos, Penela, Miranda do Corvo, Góis, Castanheira de Pera e Pampilhosa da Serra, provenientes da Zona de Caça Nacional da Contenda e da Tapada de Vila Viçosa.

Segundo o biólogo, mais de 20 anos depois, os resultados obtidos demonstram que a reintrodução de veados na serra da Lousã foi “um sucesso, não só pela sua sustentabilidade biológica e ecológica, como também pelo número de efectivos”.

O objectivo, declarou Carlos Fonseca à Agência Lusa, era devolver à serra da Lousã uma “espécie emblemática, extinta por acção do Homem, e voltar a ter na região Centro aqueles animais em estado selvagem”.

De acordo com o comunicado da UA, uma equipa de investigadores do Departamento de Biologia e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar publicou um artigo, num jornal estrangeiro, em que, além de apontar o enorme crescimento da população de veados ao longo do tempo, sublinha o sucesso relativamente à vasta distribuição geográfica dos animais.

“A área de distribuição actual, superior a 90 000 hectares, é fruto da expansão dos veados em várias direcções, com especial destaque para Nordeste, ao longo de uma cordilheira em direcção à serra da Estrela, estando limitada a Norte pelo rio Mondego e a Sul pelo rio Zêzere”, escreveu a bióloga Ana Valente.

A investigadora alerta para o “potencial económico, cinegético e turístico” que actualmente os animais representam para vários concelhos da serra da Lousã.

“Há também o ecoturismo, com destaque para a época de acasalamento, que ocorre entre Setembro e Outubro, e que todos os anos atrai centenas de pessoas à serra”, acentua a bióloga.

Por outro lado, Carlos Fonseca alerta para a necessidade da gestão dos conflitos com as populações, provenientes do aumento de distribuição do veado, que têm provocado danos, sobretudo no sector agrícola.

Para o coordenador da Unidade Vida Selvagem da UA, a “gestão de conflitos” deve ser encarada como prioritária, numa perspectiva conciliadora, tendo em conta os interesses das populações lesadas e dos animais, “não esquecendo todo o potencial que a serra da Lousã tem para oferecer”.

Paralelamente, segundo o biólogo, “há que ter em mente estratégias de gestão integrada a nível social, onde participem as autarquias, o Poder Central, as unidades e centros de investigação, as associações, federações e empresas ligadas à actividade cinegética (caça) e ao turismo”.